Chikungunya pode ser gatilho para doenças reumáticas
Após a fase aguda, as dores podem permanecer e evoluir para um quadro de artrite, um tipo de reumatismo muito comum.
Não se fala em outra coisa, senão sobre a pandemia do novo coronavírus, mas há outras questões sobre saúde que continuam em pauta e são muito importantes. Uma delas, que tanto mobilizou os brasileiros há tão pouco tempo, ainda merece toda a atenção: os efeitos da Chikungunya.
“Muitos pacientes acometidos pela doença se queixavam de fortes dores nas articulações e mesmo corretamente medicados não se livraram deste incômodo. Em geral, as dores são nas mãos, nos punhos, nos pés e nos tornozelos, e muitas vezes a dor é tamanha que traz a incapacidade para o desempenho de atividades cotidianas”, alerta a reumatologista Liseth Acochiri Gutierrez, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
As dores provocadas pela Chikungunya podem durar mais tempo
A Dra. Liseth pontua que é muito comum a fase aguda da doença durar em torno de dez dias, com quadro de febre, em torno de 38 graus, dores articulares e sensação de inchaço. “Após este período, as dores podem permanecer e evoluir para um quadro de artrite, um tipo de reumatismo muito comum. Em geral, estas dores articulares podem durar por três meses, mas há muitos casos que a dor se prolonga. A chikungunya pode ser um gatilho para doenças reumáticas inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, principalmente em pacientes com mais de 60 anos e que já tenham predisposição genética”, alerta a reumatologista do CREB.
Segundo ela, um acompanhamento de um reumatologista é fundamental para pacientes que tiveram ou são acometidos pela chikungunya. “Muitas vezes, as dores são intensas, incomodam bastante e podem até provocar limitações. É preciso iniciar um tratamento medicamentoso e fisioterápico. O reumatologista também vai se certificar que o quadro não evoluiu para uma doença reumática. A fisioterapia é muito recomendada, diria essencial, pois combate a dor e devolve a mobilidade do paciente”, explica a Dra. Liseth.
“É muito comum que aqueles que foram acometidos pela doença também sintam dores fortes e incapacitantes nas articulações dos membros superiores e inferiores, com presença de edema e sensação de dormência nas extremidades. A chikungunya pode, sim, ser um gatilho para o reumatismo, e precisamos estar alertas para essa possibilidade. Também é importante ressaltar que a doença ainda acomete as pessoas, não deixou de existir”, alerta a reumatologista do CREB.
Artrite reumatóide: avanços terapêuticos devolvem qualidade de vida perdida
Nos últimos 25 anos, revelou um recente estudo britânico, houve um aumento considerável na expectativa de vida entre pacientes com artrite reumatóide
De acordo com essa pesquisa, a média da idade de morte dos paciente portadores da doença foi de 76,7 anos, entre os anos de 1986 a 1998, e de 86,7 anos entre 2002 a 2012. Isso representa uma queda de 3,5% no risco relativo para todas as causas de mortalidade a cada ano, no período de 1986 a 2012. A pesquisa relaciona a melhora da expectativa de vida desse grupo de pessoas aos avanços tecnológicos, que permitem um diagnóstico cada vez mais precoce da doença, além de avanços terapêuticos no tratamento em si.
Segundo Haim Maleh, fisiatra e reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – e professor de Reumatologia da UFRJ, a artrite reumatóide caracteriza-se por inflamação das articulações, provocada por uma reação inflamatória, com presença de algumas substâncias, entre elas a interleucina 6, que destroem progressivamente a cartilagem e os ossos ao redor das articulações, causando dor, edema e prejudicando sua função e limitando os movimentos.
“Além do comprometimento das articulações, ocorrem sintomas físicos como cansaço intenso, decorrente da anemia que a doença provoca. Os sintomas iniciais são fadiga inexplicável, rigidez prolongada das articulações pela manhã, além de edema e vermelhidão. Esse quadro muitas vezes é confundido com o reumatismo comum, o que retarda o diagnóstico correto e o início precoce do tratamento”, explica ele.
Para chegar ao diagnóstico da artrite reumatóide, explica o Dr. Haim, o reumatologista ana-lisa a história clínica do paciente, realiza exames físicos das articulações e solicita análise laboratorial, radiografias e, em algumas ocasiões, ultrassonografia das áreas acometidas. Exames de sangue também auxiliam na avaliação do processo inflamatório. Ele concorda com a pesquisa e pontua que a atrite reumatoide não tem cura, mas é possível devolver ao paciente a qualidade de vida perdida.
“A artrite reumatóide é uma doença de longa evolução. Há tratamentos, que estão cada vez mais avançados, sendo possível devolver ao paciente a qualidade de vida perdida. O tratamento traz alívio da dor, bem estar e, principalmente, pode evitar e prevenir alterações articulares, quando iniciado precocemente. O tratamento deverá sempre, além de medicamentos, contar com a reabilitação física, entre as quais eletroterapia, cinesioterapia, acupuntura e hidroterapia, que é uma medida de grande auxílio para esses pacientes, especialmente quando realizada em piscinas apropriadas, como nas que utilizamos no CREB“, finaliza o médico.
Estudo demonstra relação entre artrite reumatoide e tabagismo
Um recente estudo científico mostrou que pacientes acometidos pela artrite reumatoide, fumantes, têm mais do que o dobro de risco de se hospitalizar devido a eventos cardiovasculares e infecções respiratórias. O tabagismo é um conhecido fator de risc...
Um recente estudo científico mostrou que pacientes acometidos pela artrite reumatoide, fumantes, têm mais do que o dobro de risco de se hospitalizar devido a eventos cardiovasculares e infecções respiratórias. O tabagismo é um conhecido fator de risco para o desenvolvimento da artrite reumatoide e pacientes portadores desta doença têm um risco maior em 50% para doenças cardiovasculares e, ainda, um risco aumentado para infecções do trato respiratório.
“A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica, que afeta a membrana sinovial das pequenas articulações, podendo provocar inchaço e dores, principalmente nas mãos e nos pés. Ela não tem causa conhecida, mas é possível tratá-la e devolver ao paciente a qualidade de vida perdida”, explica Dr. Haim Maleh, reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – e professor de reumatologia da UFF (Universidade Federal Fluminense). Ele pontua que não fumar diminui o risco de doenças cardiovasculares e infecções respiratórias e que, possivelmente, diminui também a probabilidade da pessoa acometida pela artrite reumatoide apresentar outras alterações. “Esse estudo é importante, pois demonstra a influência do tabagismo sobre essa doença também”, diz ele.
Um dos sintomas da artrite reumatoide é a sensação de rigidez e dores nas juntas
Segundo o Dr. Haim, a doença acomete uma em cada cem pessoas, sendo duas vezes mais mulheres na faixa entre 40 e 60 anos do que os homens. Ele relata que um dos sintomas da artrite reumatoide é a sensação de rigidez e dores nas juntas, logo pela manhã. Mas a doença também pode atacar os olhos e o pulmão. “O tratamento é individualizado, cada caso é um caso. Muitas vezes, o paciente apresenta incapacidade funcional, mas o tratamento pode restabelecer a qualidade de vida perdida. Utilizamos protocolos de reabilitação física que trazem melhora do quadro articular, podendo aumentar a mobilidade. Ao menor sinal de dores nas juntas, um especialista deve ser consultado”, finaliza ele.
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