Um especialista deve ser procurado ao menor sinal de dor na coluna vertebral
Quem de nós já não sentiu, ao menos uma vez, dor na coluna vertebral? De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 80% da população mundial já teve, tem ou terá algum problema na coluna. Ou seja, em cada dez pessoas, oito são passam por este problema. A questão, no entanto, é mais séria do que os números podem supor: muitas vezes, a pessoa sente uma leve dor nas costas, mas acha que isso é natural e não procura um especialista. Pior: se automedica e crê que o problema foi resolvido. A verdade, porém, é que uma leve dor nas costas pode significar um alerta do corpo para algo grave.
“Dores no pescoço, no centro das costas ou na região lombar podem significar algum problema que, não tratado, pode se tornar sério. Ao menor sinal de dor na coluna, um especialista deve ser procurado. É um erro acreditar que aquela dor é fruto de um mal jeito ou de um esforço a mais. O tratamento precoce evita que o quadro se torne crônico. A boa notícia é que temos tratamentos que devolvem a qualidade de vida ao paciente. Utilizamos protocolos que incluem RPG, hidroterapia, acupuntura e fisioterapia, além de medicação, quando necessária”, explica o fisiatra e reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – e professor de reumatologia da UFRJ, Haim Maleh.
Segundo ele, as estatísticas comprovam que em torno de 7% dos pacientes com lombalgia ou cervicalgia, por exemplo, não se livram das dores e do desconforto durante meses ou mesmo anos. Por isso a necessidade de procurar um especialista assim que identificada alguma dor, seja de que intensidade for. “Às vezes, o paciente sente dor na coluna e está com dificuldade de segurar a urina, por exemplo. Trata-se de um sintoma da Síndrome da Cauda Equina, quando os nervos que vão para as pernas e a pelve são comprimidos. Se não tratado, pode trazer sérios problemas”, exemplifica ele.
– Os problemas mais comuns que recebemos no consultório são hérnias de disco, algumas síndromes, compressão dos nervos, vícios de postura e sedentarismo. Os tratamentos não são invasivos e com as novas técnicas de reabilitação, temos alcançado muito sucesso nos tratamentos. Mas o ponto de partida é, de fato, a busca da ajuda de um especialista – finaliza o Dr. Haim Maleh.
Associação portuguesa promove Semana Europeia de Luta contra a Dor
A dor é um tema que chama a atenção de todos e mobiliza cientistas e médicos de todo o mundo, A respeitada Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), por exemplo, realizou, de 10 a 15 de outubro, a Semana Europeia da Luta Contra a Dor, com ações acontecendo simultaneamente em diversos pontos de Portugal. A dor lombar ganhou atenção especial no evento, que tratou de questões questões relacionadas com a investigação, diagnóstico e o tratamento da dor. No dia 14 de outubro, a APED organizou um evento comemorativo ao Dia Nacional de Luta Contra a Dor, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, quando foi apresentada a “Norma de Orientação Clínica sobre a Dor Neuropática”, documento elaborado pelo Prof. Doutor António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Neste mesmo dia, foi realizado um debate sobre os aspectos éticos, sociais e econômicos da dor não tratada. No dia 15, a APED promoveu o evento “Mova-se Contra a Dor”, na Praça Central do Centro Comercial do Vasco Gama, em Lisboa, com ampla participação da população. A associação anunciou, durante o evento, a criação do curso de pós-graduação em “Acupuntura Médica”, em parceria com a Escola de Ciências de Saúde da Universidade do Minho. O curso destina-se exclusivamente a médicos. “A criação do curso de Acupuntura Médica Contemporânea visa alertar a população em geral para o flagelo da dor crónica em Portugal, enquanto instrumento formativo dirigido a profissionais de saúde que trabalham no domínio da dor”, explica Filipe Antunes, médico fisiatra do Hospital de Braga. Segundo a APED, a dor crônica é um estado de dor persistente, que afeta mais de 30% da população portuguesa. A patologia músculoesquelética é sua principal causa, e não sendo adequadamente diagnosticada e tratada, pode interferir na qualidade de vida do paciente.
Jovens devem evitar carga excessiva diante de eletrônicos
“Wiitis”, “síndrome do ecrã tela”, “polegar Blackberry” e “cotovelo de telemóvel”. Esses são novos nomes de antigas doenças, que atingem cada vez mais os jovens no mundo inteiro. São nomes que tentam explicar a origem do problema, como o uso excessivo do teclado do Blackberry para enviar mensagens ou a carga horária gigantesca diante de um Playstation 3, por exemplo.
“Tendinite, síndrome do túnel carpo, epicondilite, obesidade, perda de audição e dores lombares são problemas cada vez mais diagnosticadas em jovens, fruto da vida que levam. São doenças antigas, que ganham novos nomes. Nosso desafio é estabelecer a origem das doenças diagnosticadas e obviamente que o estilo de vida desses jovens nos indicam caminhos. O uso de mochilas cada vez mais pesadas, a falta da prática de exercício físico regular e as horas seguidas diante de computadores, videogames e celulares trazem problemas imediatos”, explica Haim Maleh, fisiatra e reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia.
O médico explica, por exemplo, que o uso contínuo do teclado do Blackberry pode ocasionar inflamações nos tendões. “Com a proliferação das redes sociais, jovens passam o dia no celular, postando informações, fotos e mensagens. Obviamente que isso tem conseqüência. O nosso papel é alertar a estes jovens que precisam readquirir hábitos saudáveis, como praticar exercícios regulares, caminhar e buscar outras fontes de lazer que não apenas os eletrônicos. E ao menor sinal de dor e desconforto, os pais devem levar seus filhos a um médico para evitar que o problema se agrave”, diz o Dr. Haim Maleh.
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