Lesões por Esforço Repetitivo
LER/DORT. Essas pequenas siglas, que significam Lesões por Esforço Repetitivo e Distrúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, trazem problemas tão grandes que em alguns países da Europa tomaram proporções epidêmicas em determinadas categorias profissionais. No Brasil, não há estatísticas oficiais sobre essas síndromes, mas sabe-se que trata-se de um dos principais motivos que leva o afastamento dos profissionais de seu trabalho.
Movimentos repetitivos, aplicação de força principalmente com as mãos, levantamento e transporte de peso, postura inadequada e stress relacionado às condições psicossociais do local de trabalho são alguns dos principais agentes causadores de LER/DORT. “Também é predominante e fator de risco a quantidade de tempo em que um trabalho é feito,a intensidade da força aplicada, exposição ao frio e o trabalho numa mesma posição por um longo período”, acrescenta Tatiana Matos Galvão de Barros, fisioterapeuta do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
Segundo a fisioterapeuta do CREB, diagnosticar a LER/DORT é difícil, pois são vários os sintomas apresentados. “As principais características da LER/DORT são queixas de dor, espontânea ou decorrente de movimentação, fraqueza, cansaço, dormência e formigamento, dificuldades no uso de membros, em particular das mãos, presença de tendinite, tenossinovite, peritendite, estenossante, síndorme do túnel do capor, síndorme cervical, entre outras doenças ortopédicas, além de presença de síndrome miofascial, mialgia, síndrome da tensa do pescoço, entre outras”.
A boa notícia, garante Tatiana, é que a fisioterapia dispõe, hoje, de vários recursos que podem vencer a luta contra a síndrome, como recursos eletrotermofototerapêuticos com ações antiinflamatórias, recursos manipulativos, alongamentos e recursos posturais. “No CREB, todo o trabalho de fisioterapia é coordenado por médicos fisiatras, reumatologistas e ortopedistas.E temos protocolos de tratamentos com resultados rápidos, como hidroterapia, acupuntura e RPG”, explica ela.
– O principal na luta contra a LER/DORT sem dúvidas é o trabalho de prevenção. É preciso buscar o fortalecimento dos músculos e a melhor postura. Temos um trabalho forte de prevenção e a utilização do RPG – Reeducação Postural Global – neste caso, por exemplo, é muito importante. Profissionais mais expostos, como aqueles que trabalham o dia inteiro sentados em frente a um computador, ou numa central de atendimento telefônico, devem procurar um médico para que se faça uma avaliação – finaliza Tatiana.
Uma noite mal dormida pode começar em um colchão inadequado
Praticamente um terço das nossas vidas é dedicado ao sono.
As indústrias de colchão utilizam esse mote para nos convencer de que é preciso pensar no assunto, e eles estão certíssimos. Afinal, passar um terço de nossa vida sobre uma estrutura que faça mal à nossa coluna certamente pode nos trazer inúmeros problemas de saúde. Uma noite mal dormida traz mau humor, dor eventual na coluna, dor de cabeça e indisposição. Imagine isso acontecer continuamente…
Durante o sono, aumentamos a capacidade de produção de defesas e nutrientes.
“Enquanto dormimos, nosso corpo produz seratonina, substância P e melatonina. São substâncias que provocam bem-estar e agem como filtros do nosso organismo a situações de estresse e ansiedade. Enquanto dormimos, aumentamos nossa capacidade de produção de defesas e nutrientes para nosso corpo. Quem dorme bem tende a ter mais saúde”, garante o reumatologista e fisiatra Haim Maleh, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia e professor de reumatologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Segundo ele, a partir do nosso nascimento até os cinco anos de idade, é durante o sono que as crianças crescem, entre 20 horas e 24 horas. A partir dos 10 anos, o mesmo acontece, mas entre 22 horas e 2 horas. A qualidade do sono mais uma vez é fundamental para a nossa saúde. “Precisamos de, em média, sete horas de um sono bom. Mas o mais importante não é o número de horas dormidas. Importante mesmo é a qualidade do sono. Seis horas de uma noite bem dormida é muito melhor que oito horas de uma noite mal dormida. Entre as 22 horas e 2 horas, atinge-se a maior profundidade do sono. Numa escala de 1 a 5, que são os níveis do sono, é nesta fase que se atinge a escala 5”, explica o médico do CREB.
É nesse contexto que o colchão merece uma maior atenção. O tradicional colchão ortopédico, duro, não é mais utilizado nem recomendado. Na verdade, segundo o Dr. Haim, não é a gente que tem que se moldar ao colchão, mas sim o contrário. “O colchão precisa ser firme porém macio. E adequado ao seu peso. Pode ser de espuma ou de molas, mas se for de molas que seja de molas individuais porque o colchão de molas com tela metálica não possibilita a distribuição homogênea do peso do casal”, orienta. “Se você não tem noites de sono reparador, deve consultar um especialista, pois isso é fundamental para sua saúde. Uma noite mal dormida pode começar no uso de um colchão inadequado”, finaliza ele.
Avaliação Isocinética: importante instrumento para o fisioterapeuta e do profissional de educação física
A força muscular dos membros inferiores é considerada um importante fator do desenvolvimento de habilidades e ações motoras de diversas atividades físicas
Sobretudo as terrestres, tais como caminhada, corrida e futebol. Níveis insuficientes de força podem estar associados à um risco aumentado de lesões musculares.
Por estas razões, a avaliação isocinética assume uma importância particular no monitoramento dos efeitos dos programas de treino, bem como no afastamento de fatores de riscos de lesão. A avaliação isocinética da força fornece informações relevantes por meio de indicadores, como o torque máximo, as diferenças bilaterais de força e a razão antagonista/ agonista dos membros dominante e não dominante.
A avaliação isocinética é um recurso computadorizado, que permite detectar desequilíbrios musculares por meio da quantificação da força, potência e resistência dos músculos dos membros inferiores e superiores. Ao detectar esses desequilíbrios musculares, o profissional da saúde, seja fisioterapeuta ou de educação física, tem em mãos resultados fidedignos para elaborar programas personalizados, de acordo com as necessidades de seus pacientes, sejam eles pessoas ativas, atletas amadores, profissionais ou mesmo de alto rendimento.
As variáveis de força e potência podem ser estudadas isoladamente para cada grupamento muscular. A resistência do dinamômetro isocinético varia de acordo com a força aplicada pelo paciente. Desta forma, a avaliação se realiza de forma segura, pois o aparelho sempre vai responder de acordo com a capacidade individual, com uma carga adequada de trabalho, atuando como um método preventivo e terapêutico de lesões musculares.
Além da indicação para atletas de todas as categorias, a avaliação isocinética é também um recurso de suma importância para indivíduos que foram submetidos à cirurgia de joelho, para avaliação dos resultados pós-reabilitação e para pessoas que sofreram lesões mio-articulares (músculos, articulações, ligamentos, tendões). A avaliação pode ser aplicada nas articulações de joelho, quadril, tornozelos, punho, cotovelo e ombro, sendo realizada com uma velocidade fixa e uma resistência adaptável.
Prof. Daniel Gonçalves – Coordenador do Programa de Avaliação Muscular do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia, Preparador Físico do futebol profissional do Clube de Regatas do Flamengo, Preparador Físico e Fisiologista do Exercício, mestre em Ciência da Motricidade Humana, MBA em Administração Esportiva, e Vice-presidente da Federação de Atletismo do Estado do Rio de Janeiro
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