Chikungunya: fisioterapia é indicada para combater dores articulares provocadas pela doença
A persistência da dor articular é uma das principais queixas dos pacientes com chikungunya – estatísticas dão conta de que mais de 90% dos pacientes no início da doença têm febre de início repentino, fadiga, cefaleia e, finalmente, dores nas articula...
A persistência da dor articular é uma das principais queixas dos pacientes com chikungunya – estatísticas dão conta de que mais de 90% dos pacientes no início da doença têm febre de início repentino, fadiga, cefaleia e, finalmente, dores nas articulações das mãos, punhos, joelhos e tornozelos. Segundo o Dr. Haim Maleh, professor da UFRJ e Reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo -, é muito comum que pacientes acometidos pela doença também sintam dores intensas nas articulações dos membros superiores e inferiores extremamente incapacitantes, com presença de edema e sensação de dormência nas extremidades.
“As dores podem ser intensas. Há necessidade de repouso, além do tratamento medicamentoso. Mas por conta das dores, que geralmente se manifestam em variadas articulações, orientamos o paciente a utilização da fisioterapia, que tem recursos para melhorar esse quadro”, explica o Dr. Haim. “A dor nas articulações pode ser intensa, e altera a qualidade de vida do paciente. A utilização da fisioterapia é muito importante nesse momento, porque ela combate e alivia a dor”, acrescenta o ortopedista do CREB, Dr. Bernardo Stolnicki.
A dor nas articulações pode ser intensa
O Dr. Haim pontua que após dois meses de início da chikungunya, pacientes podem manifestar um quadro de artrite, o que têm sido observado pelos médicos que atendem pessoas acometidas pela doença, que reclamam, mesmo após a fase aguda da chikungunya, de dificuldades para andar e inflamação das juntas das mãos e pés, por exemplo. “A doença pode funcionar como um gatilho no sistema imunológico. Isso justificaria o quadro inflamatório nas articulações e a baixa resposta aos analgésicos”, afirma o Reumatologista. O Dr. Bernardo acrescenta que as estatísticas apontam que 70% das pessoas que adoecem não têm complicações articulares e que o quadro se resolve em três semanas, mas diz que é importante fazer fisioterapia e consultar um médico especialista.
O próprio Ministério da Saúde está atento a esta questão, e preparou um documento, com orientações para os médicos que atendem pacientes com chikungunya. Esse documento contém dez orientações, entre as quais a recomendação do uso de fisioterapia. As outras nove são: a principal manifestação clínica da chikungunya é a forte dor muscular; o tratamento medicamentoso deve ser prescrito exclusivamente por um médico, sendo que a dose deve ser ajustada segundo a intensidade da dor do paciente; o medicamento a ser utilizado é o paracetamol e a dipirona, para alívio da dor e da febre; outros analgésicos podem ser utilizados em caso de dores severas; anti-inflamatórios não esteroides preferencialmente devem ser utilizados com cautela na fase aguda, devendo-se excluir possibilidade do diagnóstico de dengue; uso de compressas frias de quatro em quatro horas, por 20 minutos; repouso e hidratação; pacientes devem evitar esforço sobre as articulações e carregar peso; e é importante movimentar as articulações acometidas cinco vez ao longo do dia, além da hora de acordar e antes de dormir.
Uso intenso de computador e videogame pode causar problemas muscoloesqueléticos em crianças
A utilização de computadores e videogames é cada vez maior e as crianças estão se dedicando cada vez mais precocemente a estas atividades. Segundo estudos brasileiros, crianças de três e quatro anos já brincam com computadores e videogames diariamente, ao menos por mais de uma hora consecutiva. Não há dúvidas de que a utilização de computadores e videogames trazem benefícios como o desenvolvimento de habilidades psicomotoras, estímulo e facilitação de pesquisas, acesso a atividades lúdico-pedagógicas e promoção da auto-estima, entre outros. No entanto, também há aspectos negativos, que preocupam muito os reumatologistas. “Cada vez são mais comuns casos que associam o uso intenso de videogames e computadores a manifestações musculoesqueléticas, como dedo em gatilho, tendinites, entre outros”, alerta o médico reumatologista e fisiatra do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – Dr. Eduardo Sadigurschi.
O médico do CREB reconhece que é muito difícil tirar as crianças da frente de um monitor ou de um televisor, mas afirma que os pais devem limitar o tempo da atividade. Segundo o Dr. Eduardo, é preciso estar atento à postura da criança. “A ergonomia adequada está relacionada à postura e ao mobiliário utilizado para estas atividades. Crianças e adolescentes devem se sentar em cadeiras auto-ajustáveis para a altura, com as costas e pés apoiados e de modo a manter os olhos na altura e de frente para o monitor, com distância de 30 a 40 cm do usuário. O braço e o antebraço devem manter angulação de 90 graus, com alinhamento e apoio do antebraço, punho e dedos, de modo a evitar a angulação com o teclado”, explica ele.
Organizações na área de saúde recomendam que as crianças e adolescentes não passem mais de 2 horas diárias entretidos com o computador ou videogame. “A cada hora dedicada a estas atividades, é importante que a criança dê uma pausa para relaxar e se alongar. Entre crianças menores isso é fácil, pois elas param para comer, ir ao banheiro ou mesmo para ir até um adulto contar o resultado do seu jogo. Já com os adolescentes é preciso firmar um compromisso, pois se deixar eles ficam diante do computador ou do videogame por horas e horas”, acrescenta o médico do CREB.
– Obviamente que reconhecemos que o uso do computador e do videogame é, para as crianças e adolescentes, algo muito divertido. E tem seus benefícios. Mas é preciso controlar o tempo dedicado a estes jogos e, o mais importante, nunca deixar de praticar atividades físicas regulares. E se a criança passa muito tempo diante da tela e, depois, se queixa regularmente de dores nas costas, por exemplo, é preciso levá-la para uma avaliação médica. É muito importante ter consciência disso – finaliza o Dr. Eduardo Sadigurschi.
Tendinite tem cura, mas pode se transformar em um grande problema se não for devidamente tratada
Cuidados com os movimentos repetitivos e a Tendinite
Todas as pessoas, independente de sexo e idade, que utilizam o computador, celular e tablet o dia inteiro, teclando, enviando mensagens e navegando na internet, são sérios candidatos a dores resultantes de inflamação nos tendões das mãos. Por conta do uso excessivo da tecnologia – e os movimentos repetitivos provocados pelo uso de aparelhos eletrônicos – cada vez é maior o número de pacientes que procuram o consultório de um médico especialista, com tendinite.
“Nossos músculos têm a função de promover o movimento. Em suas extremidades, existe uma transição entre o tecido muscular e o tecido fibroso, que se adere à parte óssea. Tendão é o nome desse tecido altamente resistente e fibroso. Mas nós exercitamos os nossos tendões o dia inteiro, seja caminhando ou praticando atividade física. Um movimento abrupto ou excessivo pode provocar uma inflamação. Quando isso acontece, o ideal é interromper qualquer exercício e mesmo uma caminhada. Às vezes, a dor inicial não é tão intensa e a pessoa resolve continuar sua caminhada. Mas um especialista sempre deve ser consultado”, explica o Dr. Antônio D’Almeida, fisiatra do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia, pontuando que o mesmo acontece com os tendões das mãos.
Evite a automedicação na Tendinite
O Dr. Antônio alerta para o perigo da automedicação e da busca pela solução sem a consulta com um especialista. “A automedicação é um grande problema que temos em nosso país. A pessoa sente uma pequena dor, acha que aquilo é comum, que vai se resolver facilmente, e vai até uma farmácia e pede ao balconista algum anti-inflamatório. Mas o problema pode ser sério, se agravar, se tornar um quadro crônico e até se transformar em uma LER (Lesão de Esforço Repetitivo). É preciso procurar um especialista”, afirma ele.
O tratamento da tendinite é medicamentoso e pode se utilizar de protocolos que incluem a cinesioterapia, a acupuntura e outras formas de fisioterapia. “O remédio alivia a dor, mas não cura a inflamação. Uma das causas mais comuns de tendinite nas mãos é a digitação em computadores, celulares e tablets. Tem pessoas que fazem isso o dia inteiro. É preciso estar atento, estabelecer pausas regulares na tarefa de digitar e, ao menor sinal de dor, procurar um médico”, ressalta o Dr. Antônio.
Ele dá uma boa dica para tonar a digitação uma tarefa menos invasiva. “É muito importante, diria fundamental, que os cotovelos estejam sempre apoiados na cadeira, no nível da mesa, e que o teclado não esteja muito mais alto do que o seu cotovelo. Seguir essa dica é importante e pode evitar problemas. Alongar o tendão e fortalece-lo também é uma forma de prevenir a tendinite. O médico poderá orientar o paciente a respeito disso”, afirma, lembrando que tendinite tem cura, mas se não for levada a sério pode se transformar em um grande problema.
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