Chikungunya: “rastro” pode durar por meses
Até o final de maio, o Rio de Janeiro já contabilizava 4.177 casos suspeitos notificados de Chikungunya em todo o Estado
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Em hospitais da rede pública, por exemplo, nada menos do que 50% dos pacientes de reumatologia têm suspeita da doença.
A maior parte dos pacientes atendidos nos últimos meses, que tiveram o diagnóstico da doença, se queixam de fortes dores nas articulações, e apesar de corretamente medicados, não conseguiram se livrar das fortes dores articulares. As dores relatadas são, principalmente, nas mãos, punhos, nos pés e tornozelos, resultando em incapacidade para desempenhar atividades diárias.
Muitos pacientes continuam sentindo dores articulares durante um a três meses
A fase aguda da doença dura cerca de dez dias e é acompanhada de febre, acima de 38,5 graus, além das dores articulares e, muitas vezes, inchaço. Após esse período, observa-se a permanência das dores e evolução para um quadro de artrite, limitante associado a sensação de dormência nas mãos e pés.
“Muitos pacientes continuam sentindo dores articulares durante um a três meses, mas há relatos de pacientes que continuam com as dores por um período mais prolongado. A chikungunya pode ser um gatilho para doenças reumáticas inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, principalmente em pacientes com mais de 60 anos e que já tenham predisposição genética”, afirma o Dr. Haim Maleh, Reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia e da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro está atenta à situação e seus membros vêm discutindo um protocolo de atendimento da doença na parte reumatológica. É consenso de que o paciente deve procurar um Reumatologista e iniciar um tratamento medicamentoso e fisioterápico.
“As dores podem ser intensas. Há necessidade de repouso, do uso de medicamentos e fisioterapia, que tem vários recursos para melhorar o quadro de dor. É bastante usual que pacientes acometidos pela chikungunya também sintam dores intensas nas articulações dos membros superiores e inferiores extremamente incapacitantes, com presença de edema e sensação de dormência nas extremidades. A fisioterapia é muito importante nesse momento, pois combaterá a dor e devolverá a mobilidade do paciente”, completa o Dr. Eduardo Sadigurschi, fisiatra e reumatologista do CREB.
Tabagismo pode ter papel preponderante no surgimento da artrite reumatoide
O tabagismo é mais conhecido como fator de risco para o câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias, mas também pode ter um papel preponderante na artrite reumatoide. Ainda não se sabe a causa exata dessa doença, mas estudos comprovam...
O tabagismo é mais conhecido como fator de risco para o câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias, mas também pode ter um papel preponderante na artrite reumatoide. Ainda não se sabe a causa exata dessa doença, mas estudos comprovam que a artrite reumatoide está relacionada a fatores genéticos e externos, entre os quais o tabagismo.
“Trata-se de uma doença inflamatória crônica e autoimune, que provoca dores e inchaço nas articulações, com rigidez importante, levando a limitação das atividades de vida diária. Especialmente mãos e punhos, cotovelos, ombros, joelhos e pés. Essa doença afeta duas vezes mais mulheres, na faixa entre 40 e 60 anos, porém pode ocorrer em outras faixas etárias. Apesar de ser uma doença crônica, tem tratamento”, explica Dra. Elisa Fernandes, reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo. Segundo ela, a artrite reumatoide atinge o tecido conjuntivo, principalmente das articulações, mas também pode afetar o coração, o pulmão e os rins. “Podemos devolver ao paciente a qualidade de vida. Além de tratamento medicamentoso, podemos realizar outras medidas como fisioterapia, hidroterapia, acupuntura, RPG e pilates. Temos tido excelentes resultados no CREB”, acrescenta ela.
O tabagismo pode ser mais um gatilho para o desencadeamento da doença
Segundo a médica, fumantes com predisposição genética para a doença apresentam maior risco de desenvolvê-la. Os estudos sobre o assunto são contundentes. “O cigarro aumenta à suscetibilidade à doença, além de provocar tantos outros males. Definitivamente, pacientes com artrite reumatoide fumantes precisam parar de fumar. O tabagismo pode ser mais um gatilho para o desencadeamento da doença, e pode agravar o quadro de pacientes com artrite reumatoide. Sem falar que o tabaco pode comprometer o tratamento, já que pacientes fumantes não respondem, em geral, tão bem aos tratamentos, quanto pacientes não fumantes”, afirma Dra. Elisa.
Obesidade e sobrepeso podem agravar artrite reumatoide
Diferentes estudos revelam que a obesidade e o consequente sobrepeso podem desencadear processo inflamatório generalizado, com aumento do risco de desenvolvimento da artrite reumatoide. A obesidade pode contribuir para uma evolução mais severa da doença, bem como diminui as chances de eficácia do tratamento. “A atrite reumatoide só por ser uma doença inflamatória sistêmica já oferece um risco maior para doenças cardiovasculares, como infarto. A obesidade e mais um fator agravante”, afirma o Dr. Haim Maleh, professor de Reumatologia da UFRJ e coordenador de Reumatologia do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
A artrite reumatoide é uma doença sistêmica ligada a autoimunidade, que acomete as articulações, chegando até a possibilidade de comprometer sua função. Estatísticas apontam que a doença incide sobre 1% da população mundial. “A obesidade é um seríssimo problema de saúde pública em todo o mundo, e está associada a inúmeras doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes e doenças coronárias. Ela não deve ser desconsiderada no caso da artrite reumatoide, como comprovaram esses estudos”, afirma o Dr. Haim.
Uma pesquisa realizada na Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, conclui que a perda de peso melhora e ajuda a controlar as doenças crônicas. No caso de portadores de artrite reumatoide, aqueles que foram submetidos a cirurgia bariátrica apresentaram redução da inflamação articular, melhora dos marcadores inflamatórios no sangue e consequente redução do uso de medicamentos, o que também observamos em nossos pacientes. “Perder peso deve ser uma atitude seguida para portadores de artrite reumatoide também. No CREB, temos protocolos de reabilitação física que incluem, por exemplo, a prática de hidroterapia, em nossas piscinas apropriadas para a atividade, acupuntura e pilates, entre outros. Ao menor sinal de dor nas articulações, um reumatologista ou fisiatra deve ser procurado”, finaliza o médico.
Atendimento médico especializado no Rio de Janeiro:
- BARRA DA TIJUCA: Av. das Américas, 700 - Bloco 8 - Loja 320 - Città Américas
- BOTAFOGO: Rua Voluntários da Pátria, 408
- COPACABANA: Rua Barata Ribeiro, 774 - ao lado do metrô
- LEBLON: Av. Ataulfo de Paiva, 355
- MÉIER: Rua Dias da Cruz, 13 - ao lado da estação Méier
Atendimento médico Ortopedia e Fisioterapia em São Paulo:
- SANTO AMARO: Av. Santo Amaro, 5702
- INTERLAGOS: Av. Interlagos, 2255 - âncora SS03 - Shopping Interlagos
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