Os cuidados na compra de uma nova mochila
Início do ano letivo, é hora de comprar material escolar. Um dos itens desta extensa lista merece um atenção especial: a mochila. Ainda que a criança queira escolher o modelo, com a estampa de seu personagem preferido, os pais precisam tratar a compra da mochila como uma questão de saúde. “O peso em excesso pode dar origem a problemas na coluna para o resto da vida, comprometendo a qualidade de vida daquela criança. Mochilas muito pesadas e inadequadas geram dor nas costas, postura incorreta e desvios na coluna vertebral, entre outros problemas”, alerta o ortopedista João Marcelo Amorim, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
O médico do CREB explica que é preciso estar atento não apenas ao modelo escolhido, como também a forma como a mochila é utilizada. Segundo ele, um dos erros mais comuns é a utilização da mochila em apenas um dos ombros, sobrecarregando um lado do corpo. “O certo é utilizar a mochila sempre com as duas correias uma em cada ombro, independente do peso carregado. Além disso, na hora de arrumar a mochila, é importante colocar os objetos mais pesados no fundo, próximo ao corpo”, ensina o Dr. João Marcelo Amorim, pontuando que a mochila deve ficar posicionada a oito centímetros acima da cintura e que o peso que ela carrega nunca deve ultrapassar a 10 % do peso da criança ou adolescente. “Outra dica importante é levar somente o que for necessário. As vezes, por preguiça ou esquecimento, a criança leva livros que não serão utilizados naquele dia, carregando peso a mais sem necessidade”, acrescenta.
Em relação ao modelo de mochila a ser escolhido, o ortopedista dá as seguintes dicas: o tamanho da mochila deve ser adequado ao tamanho da criança, não ultrapassando os limites da cintura e dos ombros; a mochila vazia não deve pesar mais de um quilo e as alças devem ter enchimento interno de silicone para maior conforto e, se possível, cinta abdominal. Há modelos com rodinhas que facilitam o transporte quando se carrega muito peso. “Uma boa dica é os pais comprarem a mochila com os filhos, para que possam checar se o tamanho é o ideal e, claro, para os filhos escolherem cor e padrão de estampa”, finaliza o médico do CREB, lembrando que ao menos sinal de dor na coluna, o correto é procurar um ortopedista para uma avaliação.
Espondilite anquilosante gera muita dor nas costas e deve ser tratada imediatamente
Engana-se quem pensa que dores nas costas é exclusividade de pessoas idosas.
As estatísticas demonstram que entre 80% e 85% da população mundial sente, sentiu ou sentirá dores na coluna. A espondilite anquilosante, por exemplo, acomete pessoas entre 20 e 40 anos, sendo que é de três a cinco vezes mais freqüentes em homens.
“Dor nas costas é definida como toda a condição de dor que afeta a coluna, seja na região cervical, dorsal ou lombar. A espondilite anquilosante é uma doença reumática crônica extremamente limitante se não tratada a tempo. E é muito comum entre jovens adultos”, explica Haim Maleh, reumatologista e fisiatra do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia.
Diagnóstico da Espondilite anquilosante
O médico do CREB explica que a característica de dor lombar é o que determina a suspeita para o diagnóstico. “No caso da espondilite anquilosante, a dor geralmente atinge adultos jovens, pode durar por mais de três meses, apresenta piora noturna e rigidez matinal, algumas vezes acompanhada de torcicolo, dor na virilha e calcâneos, e melhorando com exercícios. Em quadros mais crônicos, pode haver comprometimento dos membros superiores e inferiores, com rigidez severa de todo o tronco”, diz ele.
Outras manifestações da doença são febre baixa, perda de apetite e indisposições. “O diagnóstico preciso é predominantemente composto pela história clínica, realização de raio-X e exames reumatológicos específicos. É fundamental o tratamento precoce da espondilite, a fim de controlar o processo inflamatório e suas limitações, que além da mobilidade podem influir na qualidade respiratória”, acrescenta o Dr. Haim Maleh. Segundo ele, a hidroterapia e a acupuntura auxiliam no tratamento, ao lado da correção postural feita através do RPG.
Muita cerveja pode provocar gota
Pessoas que bebem cerveja regularmente têm um maior risco de apresentar quadro de gota, doença que se caracteriza pela presença de cristais de ácido úrico intra-articular, causando inflamação, vermelhidão e uma dor lancinante. Embora esse fato já fosse conhecido pela classe médica, uma pesquisa realizada por especialistas do Massachussets General Hospital, nos EUA, revelou que aqueles que bebem duas ou mais doses de cerveja por dia aumentam em duas vezes e meia o risco de sofrer esta doença, ao passo que quem bebe outras bebidas alcoólicas têm o risco aumentado apenas uma vez e meia. Esta conclusão foi obtida por meio de uma pesquisa onde 47 mil homens forma acompanhados, durante 12 anos de estudos.
“Popularmente conhecida como gota, a artrite gotosa não é uma doença exclusiva da terceira idade, como muita gente pensa. Também acomete jovens. Não é uma doença exclusivamente articular, mas sim metabólica. No início, pode começar atingindo o dedão do pé (podagra) ou mesmo outras articulações do pé, joelho e tornozelo, por exemplo”, afirma Mendel Finkielman, reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
Ácido Úrico x Gota
Segundo o Dr. Mendel, a presença de altos índices de ácido úrico é uma das características de uma pessoa com gota. “Porém, não é determinante. Uma pessoa pode ter um alto índice de ácido úrico e não desenvolver a doença, ao passo que outra pessoa pode ter índices normais e, ainda assim, ter gota. O problema é o depósito de cristais do ácido úrico nas articulações, o que geralmente acontece por alteração do PH local”, explica o médico do CREB. Ele esclarece ainda que o ácido úrico se forma no organismo por conta do metabolismo das proteínas, em particular, um tipo de proteína chamada Purina. “Alguns alimentos são mais ricos em purinas, como os frutos do mar, carne vermelha e miúdos. Quem tem gota deve evitar esses alimentos”, diz.
A gota pode ser tratada com medicamentos, que reduzem e controlam a quantidade do ácido úrico no sangue e através de dieta específica, além do uso de anti-inflamatórios para tratar a inflamação das articulações e diminuir a dor. Mas o Dr. Mendel ressalta que é fundamental que a pessoa procure um Reumatologista regularmente, inclusive nos períodos sem dores. “É preciso evitar que o processo se torne cada vez mais crônico, com possibilidade de desgaste e destruição articular. A gota também pode atingir órgãos importantes, como o rim, e estar acompanhada de problemas como diabetes e hipertensão arterial. Consultar um Reumatologista e acompanhar o desenvolvimento da doença é fundamental”, finaliza.
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