Fibromialgia: sintomas podem ir além das dores, do sono não reparador e da fadiga
Dor de origem desconhecida generalizada pelo corpo, nas articulações, na coluna vertebral, nos músculos e tendões, dor de cabeça, formigamento nos pés ou mãos, falta de motivação, sono não reparador, tristeza, tonteiras, sensibilidade ao frio e fadiga são os principais sintomas da fibromialgia
A fibromialgia é uma doença reumatológica de origem desconhecida que acomete principalmente mulheres, na proporção de sete para cada homem. Trata-se de uma das doenças reumatológicas que mais levam pacientes aos consultórios médicos.
A alodinia é um sintoma comum
Não são apenas esses, no entanto, os sintomas sentidos por aqueles que são acometidos pela doença. A alodinia é outro sintoma comum.
“Trata-se de uma maior sensibilidade ao toque, resultando em desconforto e dor. Um simples afago no ombro pode, por exemplo, se transformar em dor ou desconforto”, explica o reumatologista Sergio Rosenfeld, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia. Segundo ele, muitos pacientes também desenvolvem sensibilidade à fragrância.
“É notório que o paciente de fibromialgia desenvolve uma sensibilidade, por exemplo, ao frio. Muitos também são acometidos pela sensibilidade à fragrância”, afirma ele.
Além do aumento excessivo da transpiração, o paciente com fibromialgia pode apresentar o que os médicos chamam de parestesia, ou seja, sensação de formigamento e dormência, principalmente nas mãos e pés.
“Também encontramos com alguma frequência pacientes com lipomas, ou seja, tumores gordurosos benignos que aparecem como nódulos em diferentes partes do corpo. Isso não está ligado diretamente à doença, mas causa mais desconforto para quem tem fibromialgia”, acrescenta o Dr. Sergio.
Ele faz questão de pontuar que cada paciente apresenta um quadro individualizado e, por isso, recebe um tratamento específico. “A boa notícia é que é possível devolver a qualidade de vida perdida, com um tratamento medicamentoso, exercícios regulares e uso de protocolos que incluem hidroterapia, em piscina apropriada, pilates terapêutico, acupuntura e RPG, além da acupuntura”, finaliza.
Fibromialgia: possível classificação dos pacientes de acordo com os sintomas
“No Congresso Europeu de Reumatologia, realizado em Paris, em junho, do qual participei, foi proposto uma nova forma de classificação para a fibromialgia, e através de uma análise estatística foi sugerido a criação de uma subclassificação dos pacient...
“No Congresso Europeu de Reumatologia, realizado em Paris, em junho, do qual participei, foi proposto uma nova forma de classificação para a fibromialgia, e através de uma análise estatística foi sugerido a criação de uma subclassificação dos pacientes de acordo com a severidade dos sintomas. Os pacientes participantes foram analisados através do emprego de questionários específicos que abordavam sintomas típicos da doença,seguindo uma recomendação do OMERACT ( Outcome Measures in Rheumatology). Como resultado, foram classificados em: sintomas leves, sintomas moderados com pouca alteração do humor, sintomas moderados com alteração do humor e sintomas intensos. A importância disso é na forma com que devemos iniciar e ajustar o tratamento clínico. Nós aconselhamos que além de medicamentos específico, a indicação de hidroterapia, exercícios acompanhados e orientados caso a caso com a acupuntura, trazem excelente resposta ao tratamento, propiciando qualidade de vida a quem está sofrendo e com dor. O homem nasceu para viver bem, feliz e sem dor”. O comentário é do Dr. Haim Maleh, professor de Reumatologia da UFRJ e Fisiatra e Reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
A fibromialgia é uma das doenças reumatológicas que mais levam o paciente ao consultório do médico: segundo dados oficiais, de 3 a 5% da população pode apresentar esse quadro clínico, sendo que de 80 a 90% são mulheres, entre 30 e 60 anos. Segundo Haim Maleh, os principais sintomas da doença são dores generalizadas pelo corpo, nas articulações, na coluna vertebral, nos músculos e nos tendões, dor de cabeça, sensibilidade maior ao frio, formigamento nos pés e ou nas mãos, tonteiras, desânimo, fadiga, dificuldades para dormir, sono não reparador e, ainda, falta de motivação e tristeza.
– A fibromialgia ainda é uma doença pouco conhecida. Pela dificuldade em se estabelecer um diagnóstico seguro devido a falta de objetividade dos exames radiológicos e laboratoriais, é muito importante que o paciente procure um reumatologista experiente com essa doença. Ele irá se basear em aspectos clínicos, na avaliação da história familiar e no exame físico do paciente. A fibromialgia é uma doença de longa evolução, mas a prática regular de exercícios moderados pode controlar as dores. Também há tratamentos medicamentosos, receitados caso a caso ao paciente. Não há uma pílula mágica e sim o entendimento das necessidades do paciente pelo médico e uma adaptação de programação para aquele caso específico, o que traz excelentes resultados e sucesso ao tratamento. Com a melhora da dor, da mobilidade e do humor, o paciente passa a ter uma melhor qualidade de vida, com uma rotina normal de sono e de suas atividades diárias. Isso é possível. É fundamental que o tratamento seja realizado por uma equipe interdisciplinar de profissionais de saúde, com reumatologista, fisiatra e fisioterapeuta, para o devido acompanhamento do paciente. A familiaridade do médico com a doença faz com que seja tratada de maneira bastante satisfatória, através de medicamentos associados a protocolos de reabilitação, como os que temos no CREB, com hidroterapia em piscina apropriada, acupuntura, além de outras medidas fisiátricas – explica o médico.
Fibromialgia, uma doença dolorosa cujo tratamento tem ótimos resultados
Saiba mais sobre os principais sintomas da Fibromialgia
Dor, desconforto muscular, cansaço, fadiga inexplicável, tristeza, depressão, dificuldade de concentração, palpitação, sono não reparador, dor de cabeça, disfunção na articulação têmporo mandibular, períodos de diarreia ou prisão de ventre, bem como sintomas gástricos como dor abdominal e dificuldade de digestão. Esses são os principais sintomas da fibromialgia, uma doença dolorosa, de longa evolução, não inflamatória, caracterizada por queixas de dor músculo-esquelética difusa (dor em vários músculos, tendões e articulações, incluindo a coluna vertebral).
“O diagnóstico é apenas clínico, baseando-se no histórico do paciente e no exame físico. O médico precisa ter experiência com a doença. Muitas vezes, a pessoa tem fibromialgia, sente dores, mas como os exames nada apontam, o diagnóstico é dado pela experiência e conhecimento do médico com a doença. É preciso procurar um reumatologista que tem experiência no assunto”, explica o reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia, Ortopedia e Fisioterapia, Dr. Sérgio Rosenfeld. “Seguimos no CREB os critérios de classificação do Colégio Americano de Reumatologia para Fibromialgia, que incluem a presença de dor difusa pelo corpo em pontos dolorosos”, diz o Dr. Sérgio.
A causa da fibromialgia, esclarece o Dr. Sérgio Rosenfeld, ainda é desconhecida. Porém, segundo ele, na grande maioria dos casos, o fator desencadeante é algum tipo de estresse seja físico ou emocional. “Por isso, é importante estabelecer uma boa relação médico-paciente, entendendo a pessoa como um todo – seu corpo, suas emoções e seus sentimentos. A parte medicamentosa é indispensável e não existe um remédio específico. Temos, sim, um conjunto de remédios associados que, a curto e médio prazo, eliminam as dores e sintomas da Fibromialgia. E a reabilitação física também é fundamental, pois vai trazer de volta a qualidade de vida perdida”, explica ele.
O diagnóstico da doença não depende de exames clínicos ou de raio-x, mas sim a partir da interação entre o médico reumatologista ou fisiatra e o paciente. É exclusivamente na consulta médica que a doença será diagnosticada e, a partir daí, tratada. Diagnosticada a doença, o tratamento seguido à risca pode devolver a qualidade de vida perdida.
O reumatologista diz que há três caminhos que devem ser seguidos pelo paciente: apoio psicoterápico, tratamento medicamentoso e reabilitação física, podendo incluir, aí, relaxamento, acupuntura, fisioterapia específica para cada caso, hidroterapia e, em um segundo momento, até Pilates e RPG. “A minha experiência em consultório mostra que os resultados do tratamento podem ser muito bons. Diagnosticado e seguindo o tratamento, o paciente já volta outra pessoa na nova consulta. Ele volta de bem com a vida, com disposição”, diz o médico do CREB.
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