Bruxismo e dor na articulação temporo mandibular: terapia física tem ótimos resultados
Milhões de pessoas, em todo o mundo, tem o costume de trincar, inconscientemente, a arcada dentária, principalmente durante o sono. Esse hábito, que também é muito comum em períodos de estresse, pode provocar dores e sérias conseqüências pra a articulação temporo mandibular, responsável pela ligação do crânio e a mandíbula. O alerta é do reumatologista e fisiatra do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo -, Dr. Haim Maleh. “Uma mandíbula trincada resulta em desgaste, quebra dos dentes e, eventualmente, até numa artrite e degeneração da articulação temporo mandibular. O acometimento inflamatório ou degenerativo da articulação temporo mandibular é observado em cerca de 10% das pessoas que sofrem desse mal, mais conhecido como bruxismo, resultando em sérias conseqüências”, explica o médico. Segundo o Dr. Maleh, o uso alguns medicamentos, inclusive relaxantes musculares, podem trazer benefícios. “O uso de terapia fisica para tratamento de desordens da articulação temporo mandibular, geralmente coberto pelos planos de saúde, tem ótimos resultados”, recomenda ele.
Dor no ombro
Tenho muita dor nos braços, na altura dos ombros. A dor só pára quando deixo os braços imóveis. Pode ser bursite? O que faço para me livrar dessa dor?
Tenho muita dor nos braços, na altura dos ombros. A dor só pára quando deixo os braços imóveis. Pode ser bursite? O que faço para me livrar dessa dor? (Kátia D’Angelo – Friburgo)
Há um grande número de doenças que podem levar à dor e a restrição dos movimentos do ombro: síndrome do impacto subacromial (bursite) , lesões dos tendões , lesões cápsulo-ligamentares, artrose, dentre outras. O seu problema pode ser uma simples bursite. Procure uma clínica de reumatologia e ortopedia, para que um especialista possa lhe avaliar e realizar exames de raio-x e ultra-sonografia para o correto diagnóstico de sua doença. Saiba que há tratamento e que geralmente alcançamos excelentes resultados. A boa notícia é que atualmente já há disponível uma nova forma de tratamento, chamado de TOC (terapia de ondas de choque), que tem resultados ótimos em cerca de 85% dos casos de tendinite e bursite de ombro, evitando até a necessidade de cirurgia.
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João Marcelo Amorim, Ortopedista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo
Artrose sem atalhos: Ciência, responsabilidade e os limites das Novas Terapias
A dor crônica tem um preço alto, e não apenas para quem a sente.
Para o paciente, é a limitação do dia a dia, a dificuldade de subir uma escada, de dormir, de trabalhar. Para o médico, é o desafio de alinhar expectativas com evidências em um mercado saturado de promessas. Para as operadoras de saúde, é o custo crescente de procedimentos que nem sempre entregam o resultado que prometem.
A artrose está no centro desse paradoxo. E entender esse cenário é essencial para todos os envolvidos.
Uma doença complexa num mercado de soluções simples
A artrose não é apenas "desgaste de cartilagem". É uma doença multifatorial que envolve processos inflamatórios, alterações ósseas e desequilíbrios biomecânicos que se desenvolvem ao longo de anos. Tratá-la exige uma abordagem igualmente complexa.
O problema é que o mercado não vende complexidade. Vende milagre.
Nos últimos anos, multiplicaram-se as promessas de "regeneração articular", "reversão do envelhecimento da cartilagem" e "cura definitiva", conceitos que, até o momento, não encontram sustentação robusta na literatura científica. Pacientes vulnerabilizados pela dor são expostos a um ecossistema que mistura ciência emergente, marketing agressivo e interpretações distorcidas de evidências. E médicos, operadoras e sistemas de saúde arcam com as consequências dessa confusão.
O que a ciência realmente diz, e o que ela ainda não provou
Suplementos como glucosamina, condroitina e colágeno tipo II são amplamente consumidos e frequentemente indicados como "condroprotetores". Metanálises de alto nível, porém, mostram efeitos modestos, sem evidência consistente de modificação estrutural da doença. Podem beneficiar alguns pacientes, mas não justificam as promessas amplas que costumam acompanhá-los.
Fitoterápicos como cúrcuma, arnica e garra-do-diabo apresentam propriedades anti-inflamatórias em estudos, mas a tradução desses efeitos para benefício clínico concreto permanece limitada e heterogênea. São alternativas mais seguras que os anti-inflamatórios tradicionais, especialmente nos pacientes mais idosos, e por isso são amplamente utilizados mesmo com baixa comprovação científica.
No campo das terapias injetáveis, a discussão ganha mais peso clínico e financeiro. A viscossuplementação com ácido hialurônico apresenta resultados variáveis nas metanálises, mas já está validada nos principais algoritmos de tratamento das sociedades de Ortopedia, Reumatologia e do estudo da cartilagem. Na prática clínica, reduziu o encaminhamento de pacientes à cirurgia, o que representa um ganho real de eficiência para as operadoras.
O plasma rico em plaquetas (PRP) vem ganhando espaço como alternativa biológica: obtido do próprio sangue do paciente, concentrado por centrifugação e infiltrado na articulação, apresenta resultados comparáveis à viscossuplementação, especialmente em casos leves a moderados. No entanto, a grande heterogeneidade nos protocolos e técnicas limita a previsibilidade dos resultados. Em muitos casos, o benefício não ultrapassa os tratamentos tradicionais estabelecidos e não se mantém a longo prazo.
Combinações de PRP e ácido hialurônico vêm sendo estudadas, com algumas metanálises sugerindo melhora superior em dor e função em relação ao uso isolado de cada um. Ainda assim, nenhuma dessas abordagens configura evidência de regeneração estrutural consistente. São tratamentos que aliviam sintomas, não que revertam a doença.
No topo da "cadeia de promessas" estão as terapias com células-tronco. Obtidas da medula óssea ou do tecido adiposo, oferecem sinal de benefício potencialmente superior ao PRP e ao ácido hialurônico em alguns desfechos. Mas seguem pertencendo, em grande parte, ao campo da pesquisa: variabilidade metodológica elevada, risco de viés e ausência de padronização impedem seu uso amplo e rotineiro. São procedimentos mais invasivos, realizados frequentemente em centro cirúrgico, muitas vezes associados a cirurgias minimamente invasivas, o que aumenta significativamente a complexidade e o custo.
O problema não é a ciência em construção. É quando ela é vendida como ciência consolidada.
Muitas dessas intervenções não são necessariamente ineficazes. O problema está na forma como são apresentadas. Há uma diferença fundamental entre "ter algum potencial benefício" e "ser uma solução comprovada". A primeira pertence ao campo da pesquisa séria. A segunda, ao marketing.
Para o paciente, essa confusão gera expectativas frustradas e gastos desnecessários. Para o médico, compromete a credibilidade e a relação terapêutica. Para a operadora, representa custo sem retorno clínico consistente.
O que realmente funciona, e por que é menos glamouroso
Enquanto o debate sobre novas terapias avança, o que permanece no topo da evidência científica continua sendo menos vendável: perda de peso, fortalecimento muscular, reabilitação articular, hidroterapia e fisioterapia individualizada.
Não prometem milagres, mas entregam resultados reais, consistentes e reproduzíveis. Essas medidas estão no topo dos algoritmos de tratamento das principais diretrizes globais. Do meu ponto de vista, deveriam ser indicação obrigatória de todo médico que se propõe a tratar artrose, antes, durante e junto de qualquer outra abordagem.
Para as operadoras, são também as intervenções com melhor custo-efetividade e maior impacto na redução da sinistralidade a longo prazo.
O papel de cada um nessa equação
A artrose não tem cura milagrosa. E talvez o maior risco não esteja na doença em si, mas na ilusão coletiva de que ela já foi resolvida por algo que ainda não foi suficientemente comprovado.
Cabe ao paciente buscar informação qualificada e desconfiar de promessas absolutas. Cabe ao médico manter o rigor científico mesmo sob pressão de expectativas e de mercado. Cabe à operadora de saúde estruturar protocolos de cobertura baseados em evidência, protegendo o paciente, valorizando o médico criterioso e gerindo recursos com responsabilidade.
Doenças crônicas exigem abordagens contínuas, baseadas em ciência e construídas sobre confiança. Não atalhos. Não narrativas rápidas. Não soluções fáceis para problemas complexos.
por Rodrigo Kaz
Ortopedista, especialista em joelho e Diretor Médico do CREB - Centro de Reumatologia, Ortopedia e Fisioterapia.
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