Ortopedista do CREB profere palestra em simpósio da SBOT
Ortopedista do CREB profere palestra em simpósio da SBOT
O Ortopedista Bernardo Stolnikci, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – foi um dos destaques do I Simpósio de Ortopedia de Consultório, realizado pela SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, em 28 de setembro, no Rio Othon Palace, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele proferiu a palestra “Osteoporose: terapêutica medicamentosa – atualização”, uma das mais comentadas do evento. O I Simpósio de Ortopedia de Consultório apresentou atualizações, principalmente em relação à medicina esportiva e osteometabólica. O evento contou, ainda, com as participações dos ortopedistas Bruno Vargas, Marcio Taubman, Carlomã Aguiar, Alexandre Blanc e a reumatologista Isis Reis, todos do CREB.
Tratamento da osteoporose tem novidades
Caracterizada pela diminuição da massa óssea, com conseqüente enfraquecimento e fragilidade do osso, a osteoporose tem índices alarmantes: uma em cada quatro mulheres, após a menopausa, desenvolvem a doença e uma a cada cinco mulheres que já tiveram fratura sofrerão outra fratura, em menos de um ano. No Brasil, mais de 10 milhões de pessoas têm osteoporose e, no mundo, esse número chega a 200 milhões.
Realizado em outubro, em São Paulo, o 2º Congresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo apresentou duas novidades que estão alcançando excelentes resultados no tratamento da osteoporose. “São duas novidades terapêuticas. Uma refere-se à quantidade de vitamina D recomendada àqueles que estão se tratando da doença. A outra é a utilização de uma nova substância, um sal mineral , que não só contribui com o aumento da massa ósseo, como também evita sua diminuição. As estatísticas demonstram um avanço considerável no tratamento da doença com a utilização destas duas novas práticas”, explica o médico reumatologista e fisiatra do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – Dr. Eduardo Sadigurschi, que participou do congresso e trouxe as novidades para a clínica.
Segundo o médico do CREB, agora utiliza-se o dobro da dosagem até então padrão de Vitamina D para pacientes em tratamento. “Há um consenso entre médicos e pesquisadores de que a população brasileira, de um modo geral, tem baixa concentração de vitamina D. Se pesquisarmos a quantidade desta vitamina em 100 homens e mulheres com mais de 50 anos, 90% ou mais apresentarão hipovitaminose D. Com uma dosagem maior, os resultados são ainda melhores. Falando de uma forma resumida e simples, a vitamina D faz o transporte do cálcio do sangue para o osso. Aumentando sua dose, aumentamos esse transporte, alcançando resultados mais efetivos”, explica ele
– É preciso salientar, entretanto, que é fundamental tomar banho de sol. Pois são os raios ultra-violetas que ativam a vitamina D. A melhor hora para pegar sol, sem dúvidas, é cedo, pela manhã. Também ressalto que os resultados são ainda melhores quando o paciente pega sol em movimento. É preciso se exercitar, caminhar enquanto pega sol – acrescenta o médico
A outra novidade é a utilização de um novo medicamento. “Trata-se de um sal mineral que tem duas vitais funções: ajuda a aumentar a massa óssea, estimulando a formação do osso, e combate a perda do cálcio do osso, ou seja, atua nas duas pontas – fortalecendo e prevenindo. Os resultados são muito bons”, garante o Dr. Eduardo. Segundo ele, além destas duas novidades, o tratamento contra a osteoporose inclui, dependendo do caso, medicamento, dieta específica orientada pelo médico, com reforço de alimentos ricos em cálcio, exercício, hidroterapia, Pilates, RPG e fisioterapia.
Lúpus: saiba mais sobre a Doença Autoimune
Compreendendo melhor a Doença Autoimune do Milênio, o Lúpus.
O que é o Lúpus?
O lúpus eritematoso sistêmico (LES), comumente chamado apenas de lúpus, é uma doença autoimune crônica e complexa que pode afetar praticamente qualquer órgão ou sistema do corpo. Nesta condição, o sistema imunológico, que normalmente protege o organismo contra infecções, produz autoanticorpos que atacam as células e tecidos saudáveis, causando inflamação e danos.
Esta doença afeta predominantemente mulheres em idade reprodutiva (15-35 anos), com uma proporção de aproximadamente 9 mulheres para cada homem diagnosticado. Embora sua causa exata ainda seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais contribuam para o seu desenvolvimento.
Epidemiologia e Prevalência do Lúpus
A prevalência do lúpus varia conforme a região geográfica e grupo étnico:
- Estima-se que a doença afete cerca de 5 milhões de pessoas em todo o mundo.
- No Brasil, a prevalência é de aproximadamente 8,7 casos para cada 100.000 habitantes.
- Mulheres afrodescendentes e hispânicas apresentam maior risco de desenvolvimento da doença e tendem a manifestá-la de forma mais grave.
- A taxa de sobrevida de 10 anos ultrapassa 90% em países desenvolvidos, um aumento significativo em relação aos 50% de décadas atrás.
Manifestações Clínicas
O lúpus é conhecido como "o grande imitador", pois seus sintomas podem se assemelhar aos de várias outras doenças. As manifestações clínicas são extremamente variáveis entre os pacientes e podem incluir fadiga persistente (presente em até 90% dos pacientes), febre inexplicada, perda de peso involuntária, artrite não erosiva, dor muscular, dor articular, rigidez matinal, rash malar (em "asa de borboleta") - eritema sobre o nariz e bochechas, fotossensibilidade, úlceras orais e nasais indolores, manifestações renais, cardiovasculares e pulmonares; além de questões neuropsiquiátricas e hematológicas.
Diagnóstico do Lúpus
O diagnóstico do lúpus é baseado na combinação de achados clínicos e laboratoriais. Em 2019, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR) e a Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR) estabeleceram novos critérios de classificação, que incluem critérios clínicos, imunológicos e exames complementares.
Tratamento do Lúpus
O tratamento do lúpus é individualizado, considerando a gravidade da doença, os órgãos afetados e as comorbidades do paciente. O objetivo é controlar os sintomas, prevenir danos aos órgãos e melhorar a qualidade de vida. O protocolo de tratamento poder vir a abordar tratamento Farmacológico com anti-inflamatórios, antimaláricos, glicocorticoides, imunossupressores e agentes biológicos. E ainda um tratamento Não Farmacológico, com fotoproteção, alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do Estresse e suspensão do tabagismo.
Complicações e Comorbidades do Lúpus
Pacientes com lúpus apresentam maior risco para certas complicações e comorbidades:
Aterosclerose Precoce
- Risco aumentado de eventos cardiovasculares
- Necessidade de controle rigoroso dos fatores de risco tradicionais
Infecções
- Principal causa de morbidade e mortalidade
- Risco aumentado devido à imunossupressão
Osteoporose
- Secundária ao uso prolongado de corticosteroides
- Necessidade de suplementação de cálcio e vitamina D
Síndrome Antifosfolípide
- Tromboses venosas e arteriais
- Complicações obstétricas
Complicações Durante a Gravidez
- Maior risco de pré-eclâmpsia
- Parto prematuro
- Abortamentos recorrentes
Prognóstico e Qualidade de Vida
O prognóstico do lúpus melhorou consideravelmente nas últimas décadas, graças aos avanços no diagnóstico precoce e nas opções terapêuticas. Fatores associados ao pior prognóstico incluem: envolvimento renal ou neurológico grave, etnia afrodescendente ou hispânica, presença de anticorpos antifosfolípides e baixa adesão ao tratamento.
Vivendo com Lúpus
O lúpus é uma doença crônica que exige adaptações no estilo de vida, mas com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes pode levar uma vida produtiva e satisfatória. Recomendações importantes incluem:
- Acompanhamento médico regular
- Adesão estrita ao tratamento prescrito
- Reconhecimento dos fatores desencadeantes de surtos
- Equilíbrio entre atividade e repouso
- Participação em grupos de apoio
- Comunicação aberta com familiares e empregadores sobre as limitações impostas pela doença
Perspectivas Futuras
A pesquisa sobre o lúpus continua avançando em diversas frentes, com desenvolvimento de biomarcadores mais precisos para monitoramento da atividade da doença, novas terapias-alvo com melhor perfil de eficácia e segurança.
Uma Medicina de precisão, com tratamentos personalizados baseados no perfil genético e imunológico do paciente e pesquisas sobre os fatores ambientais envolvidos no desenvolvimento da doença.
Conclusão
O lúpus, apesar de ser uma doença complexa e desafiadora, tem hoje um panorama muito mais promissor do que há algumas décadas. O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a abordagem multidisciplinar são fundamentais para controlar a atividade da doença e prevenir danos irreversíveis. Com acompanhamento médico regular e autocuidado, os pacientes com lúpus podem manter boa qualidade de vida e perspectivas positivas para o futuro.
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