As articulações podem fazer barulho? Ortopedista do CREB responde
O termo médico para os ruídos articulares é crepitação
Ossos e articulações podem ranger, causando um certo barulho? Essa é uma pergunta que geralmente pacientes fazem aos ortopedistas. De fato, isso acontece sim, em qualquer faixa etária, porém esses “barulhos” tornam-se mais comuns à medida que envelhecemos. “O termo médico para esses ruídos articulares é crepitação, apresentando diversas causas”, explica o ortopedista Bruno Vargas, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia.
“A crepitação articular pode estar relacionada a problemas nos tendões (que conectam o músculo ao osso), ligamentos (que conectam os ossos a outros ossos) ou cartilagem (a cobertura lisa das extremidades dos ossos nas articulações). O joelho geralmente é a articulação mais ruidosa, mas outras articulações também podem desenvolver sons, incluindo quadril, ombro, pescoço e coluna”, explica o médico.
Segundo o Dr. Bruno, há algumas possíveis razões para o barulho. “Uma delas pode ser porque um tendão ou ligamento faz um atrito sobre uma saliência óssea, durante o movimento articular. Outra possibilidade é que a cartilagem desgastada, como ocorre na artrose, forma áreas irregulares em sua superfície, resultando num atrito articular durante o movimento, resultando num som de trituração”, diz ele, acrescentando que um estudo publicado na Arthritis Care & Research apontou que mais de 75% das pessoas que desenvolveram osteoartrite no joelho relataram ranger ou estalar na articulação do local um ano antes do desenvolvimento dos sintomas álgicos.
Ao menor sintoma de crepitação – ressalta o Dr. Bruno – o paciente deve procurar o CREB para uma consulta com um especialista, para que seja feito o diagnóstico e proposto o tratamento adequado.
Existe relação entre o reumatismo e a gengivite? Reumatologista do CREB responde
Existe relação entre o reumatismo e a gengivite? Reumatologista do CREB responde
Embora ainda não haja uma compreensão absoluta sobre a questão, há uma relação entre doenças reumatológicas – especificamente a artrite reumatoide – e a doença gengival. Segundo a reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – Dra. Liseth Acochiri Gutierrez, “a artrite reumatoide (AR) é uma doença auto-imune, ou seja, o sistema imunológico desregulado leva a uma inflamação nas articulações predominantemente das mãos e punhos, resultando em dor, calor e rigidez articular nessas articulações. Acredita-se que algum tipo de lesão gengival – possivelmente relacionada a uma infecção bacteriana – possa desencadear o surgimento da doença em pessoas geneticamente suscetíveis”.
A médica do CREB esclarece que a inflamação gengival é causada por um crescimento excessivo de bactérias e placas nos dentes, resultando em dano dos ossos e tecidos de suporte dentário. “Uma bactéria específica (Porphyromonas gingivalis), causadora de gengivite, pode desencadear a ativação e desregulação imune, em indivíduos geneticamente suscetíveis. O sistema imune ataca as estruturas articulares, resultando no surgimento dos primeiros sintomas da Artrite Reumatóide”.
A Dra. Liseth afirma que não é garantido que uma condição cause a outra. “No entanto, sugerimos que portadores de doença periodontal que iniciem dor nas articulações procurem um reumatologista para o correto diagnóstico”, finaliza ela.
Aumento da longevidade traz maior número de fraturas
- O aumento da longevidade faz com que a progressão do número de fraturas seja cada vez mais expressiva. A ocorrência da fratura do quadril, pela sua alta taxa de mortalidade e morbidade e pelo alto custo de tratamento, é o mais importante marcador da efetividade no tratamento da osteoporose. Em países e sistemas que, especialmente na última década, vêm investindo na prevenção da osteoporose e de suas consequências, o número de fraturas do quadril vem diminuindo. O que eles têm em comum é a prevenção secundária de fraturas, ou seja, evitar a fratura seguinte. Visto que metade dos pacientes que tiveram uma fraturado quadril teve uma fratura prévia e que os tratamentos disponíveis provaram ser extremamente eficientes para diminuir fraturas subsequentes, boa parte das fraturas de quadril é evitável. É nesse cenário que o ortopedista desempenha um papel preponderante.
A afirmação é do ortopedista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, Bernardo Stolnikci, coordenador do CREB Prevrefrat, programa de prevenção da refratura da clínica. Segundo ele, a osteoporose é definida como uma doença óssea caracterizada pelo comprometimento da resistência óssea que predispõe a um aumento do risco de fratura. A fratura por fragilidade óssea é a maior expressão clínica dessa doença. Fratura por fragilidade é definida pela Organização Mundial de Saúde como “uma fratura causada por um trauma que seria insuficiente para fraturar um osso normal, resultado de uma redução da resistência compressiva ou torsional”. Do ponto de vista clínico poderia ser definida como uma fratura que ocorre como o resultado de um trauma mínimo, como uma queda da própria altura ou menor ou por trauma não identificado. As fraturas por fragilidade típicas incluem vértebras, fêmur proximal (quadril), rádio distal e úmeroproximal. Uma fratura por fragilidade é o indicador mais forte de risco de futura fratura. Pacientes que tiveram uma fratura em qualquer sítio têm aproximadamente duas vezes o risco de apresentar uma futura fratura em comparação com indivíduos que nunca tiveram tal lesão.
O ortopedista do CREB relata que no Brasil, o número de pessoas que têm a doença chega a10 milhões e os gastos com o tratamento e a assistência no Sistema Único de Saúde (SUS) são altos. Só em 2010, o SUS gastou aproximadamente R$ 81 milhões para a atenção ao paciente portador de osteoporose e vítima de quedas e fraturas.
- Um paciente com fratura por baixo trauma do punho, quadril, úmero proximal ou tornozelo tem quase quatro vezes maior risco para fraturas futuras. Pacientes com uma fratura vertebral terão novas fraturas vertebrais no prazo de três anos, muitos já no primeiro ano. Um paciente com uma fratura vertebral tem quase cinco vezes mais risco de uma futura lesão semelhante e o dobro do risco para fratura do quadril e outras fraturas não vertebrais. Pacientes que sofreram fratura do punho têm quase duas vezes o risco relativo de uma futura fratura do quadril. Fraturas secundárias ocorrem rapidamente após a primeira fratura. O risco de fraturas subsequentes parece ser maior, logo após uma fratura, especialmente no primeiro ano. Pacientes que tiveram uma fratura do quadril formam o grupo de maior risco para fraturas futuras e devem ser priorizados para avaliação e início de tratamento para evitar outras fraturas secundárias. Ao contrário do que se possa imaginar, esses pacientes podem se beneficiar muito do tratamento. Iniciativas para evitar fraturas secundárias (subsequentes) devem ser oferecidas a todo homem e mulher acima dos 50 anos que tiveram fraturas por fragilidade, pois essas fraturas podem preceder uma fratura do quadril no ciclo que uma fratura conduz a outra (“cascata fraturária”). Uma fratura por fragilidade inicial é o suficiente para requerer uma avaliação que inclui medição da densidade mineral óssea com avaliação do risco de fratura e início de tratamento, se não houver alguma contraindicação formal – explica ele.
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