Artrose vem dos tempos da Roma Antiga
A artrose é uma doença mais antiga do que se pode imaginar. Uma pesquisa recém realizada, publicada em um livro chamado “Bones: Orthopaedic Pathologies in Roman Imperial Age”, a maior do gênero sobre o tema, chegou a conclusão de que era a artrose qu...
A artrose é uma doença mais antiga do que se pode imaginar. Uma pesquisa recém realizada, publicada em um livro chamado “Bones: Orthopaedic Pathologies in Roman Imperial Age”, a maior do gênero sobre o tema, chegou a conclusão de que era a artrose que fazia com que os moradores do Império Romano ficavam de joelhos, curvando as costas. Para chegar a essa conclusão, a pesquisa estudou nada menos do que dois mil esqueletos encontrados na Roma Antiga.
Os pesquisadores apontam que os romanos sofriam muitas dores nas articulações, fruto dos pesados trabalhos manuais realizados naquela época. Não havia tratamento para tais dores. Segundo os pesquisadores, no máximo a pessoa era colocada sobre uma tábua de madeira, aguardando imóvel a dor diminuir. Segundo o médico Ortopedista italiano Andrea Piccioli, que liderou o estudo, “algumas descobertas nos aparentaram ser tão particulares que não podíamos deixar de pressupor que eles tinham bons conhecimentos sobre as técnicas de cura óssea. Nos pareceu, então, importante procurar a colaboração com especialistas em medicina para entender e analisar a evolução dos conhecimentos médicos e ortopédicos da Roma imperial. Nós conseguimos obter uma fotografia de uma época longínqua, que nos mostrou histórias de homens e de doenças que nos surpreenderam e, às vezes, nos emocionaram. Eram mulheres e homens habituados a viver e trabalhar com doenças dolorosas e invalidantes. Hoje, é impossível apenas pensar em viver com esses sofrimentos físicos”. A pesquisa contou com ortopedistas, antropólogos, radiologistas e historiadores da medicina.
Quanto mais cedo começar o tratamento, melhor será o resultado
A artrose acomete cerca de 15 milhões de brasileiros, sendo a terceira maior causa de afastamento do trabalho no país. Caracterizada pelo desgaste das cartilagens das articulações, a artrose é uma das doenças reumáticas mais comuns. “É um erro dizer que a doença acomete apenas pessoas da terceira idade. É cada vez maior o número de pessoas, na faixa dos 40 anos, que chegam no consultório com quadro de artrose. A doença incide principalmente nas articulações dos joelhos, coluna, quadril, mãos e dedos. No início, ela pode não apresentar os sintomas característicos, entre os quais dor, diminuição dos movimentos, ruído na articulação, as chamadas crepitações, inchaços e até deformidades. Ao menor sinal de dor nas articulações, um médico reumatologista ou fisiatra deve ser procurado. Quanto mais cedo começarmos a tratar, melhor será o resultado”, explica o reumatologista Haim Maleh, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo. O médico diz que o tratamento proporciona alívio da dor e devolve a qualidade de vida perdida. “Utilizamos, no CREB, protocolos que incluem a prática de pilates, RPG, acupuntura e hidroterapia, realizada em nossas piscinas aquecidas, específicas para esse fim”, completa ele.
Cientistas buscam novos remédios para lúpus
Manifestada geralmente por intensas dores articulares, lesões cutâneas no rosto e problemas renais, o lúpus afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva. A consulta a um reumatologista é fundamental. “Doença crônica, sistêmica e de causa desconhecida, o lúpus acomete principalmente mulheres, na maior parte das vezes na faixa entre os 15 e 35 anos. Os sintomas da doença variam de paciente para paciente, mas os mais frequentes são dores articulares, manifestações de pele, principalmente nas áreas expostas ao sol, inflamação da pleura e do pericárdio, anemia, alterações dos glóbulos brancos e plaquetas e doença renal”, explica Haim Maleh, fisiatra e reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
Segundo ele, o diagnóstico do lúpus é feito a partir de critérios clínicos e de exames laboratoriais específicos. Não é uma doença contagiosa e tem tratamento. “Um dos medicamentos que pode ser usado é a Cloroquina, que é também uutilizado nas manifestações de pele”, explica o reumatologista, lembrando que os portadores de lúpus devem buscar uma vida saudável, uma dieta equilibrada e evitar o sedentarismo.
Médicos e cientistas franceses têm avançado na pesquisa de novos medicamentos e anunciaram testes em humanos, em 2011, do medicamento cardiológico clopidogrel. Pesquisas com camundongos afetados por graves formas de lúpus, que ingeriram a substância regularmente, apresentaram melhores condições de saúde das cobaias e prolongamento significativo de sua expectativa de vida. O clopridogrel faz parte da família de medicamentos antiplaquetários, que ajudam a prevenir a formação de coágulos perigosos. Ele é prescrito para reduzir o risco de crise cardíaca (infarto) ou acidente vascular cerebral (AVC).
Toxina botulínica tipo A tem um uso medicinal cada vez maior
Conhecida popularmente como Botox, a toxina botulínica tipo A tem um grande apelo dermatológico no uso para controlar contrações involuntárias na pálpebra e, principalmente, suavizar as rugas da pele.
Mas o seu uso medicinal é cada vez maior e mais importante, sendo largamente utilizado por ortopedistas, neurologistas, cardiologistas, urologistas e mesmo gastroenterologistas.
A toxina botulínica é utilizada por ortopedistas, neurologistas, cardiologistas, etc.
Um estudo publicado no jornal da Associação Americana do Coração, o ‘Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology, mostrou, por exemplo, que a toxina botulínica tipo A pode ser injetada em pequenas bolsas de gordura (cheias de fibras musculares) que circundam o coração, em casos pós-cirúrgicos, ajudando a prevenir a arritmia. Também tem sido utilizada na próstata: é aplicada nas terminações nervosas das fibras musculares da glândula, sendo utilizada nos casos de melhora dos sintomas da hiperplasia benigna — quando a glândula tem tamanho aumentado e pode comprimir o canal urinário.
Já a Academia Americana de Neurologia (AAN) afirma que o uso da toxina botulínica tipo A é excelente para diminuir a frequência das crises de enxaqueca, principalmente para aquelas pessoas que têm efeitos colaterais, com o uso dos medicamentos convencionais.
A substância também é utilizada em tratamentos para o AVC (acidente vascular cerebral): uma das mais comuns sequelas da doença é a espasticidade, que limita a amplitude dos movimentos, podendo causar muita dor e deformidades articulares. A aplicação da Toxina Botulínica Tipo A é o que há de mais moderno e traz excelentes resultados. O tratamento consiste na administração periódica de pequenas injeções nos músculos acometidos pelo AVC, feitas em consultório, por médico especialista, e pode ser repetido até quatro vezes ao ano.
Segundo o Reumatologista Sergio Rosenfeld, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia – a Toxina Botulínica Tipo A é injetada e, assim, liga-se às terminações pré-sinápticas do sistema nervoso central e inibe a liberação de acetilcolina, o principal neurotransmissor responsável pela contração muscular.
“A substância ajuda a diminuir a quantidade de impulsos nervosos que chegam ao cérebro. Estudos demonstram que ela não atua apenas no bloqueio da liberação da acetilcolina, mas também de outros neurotransmissores – substâncias que auxiliam na transmissão de informações entre neurônios e, por conseguinte, no funcionamento dos órgãos”, explica o Dr. Sergio.
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