Dores nas costas: auto-medicação e repouso não são recomendáveis
Quem não sentiu, sequer uma vez, uma pequena dor nas costas?
Mas o que pode parecer algo comum, corriqueiro e passageiro, na verdade pode esconder uma lombalgia, dor lombar que é capaz de trazer sérios problemas para o paciente. A verdade é que muitas pessoas sentem dor nas costas e acreditam que se trata de um problema menor e localizado, após um determinado grau de esforço físico ou um tombo, por exemplo. Procurar um especialista, no entanto, é fundamental, porque aquela pequena dor pode se transformar em um grande problema, se não devidamente tratada.
“As pessoas acreditam, em geral, que dor nas costas é algo comum, corriqueiro, que simplesmente dá e passa. Mas não é bem assim. Tem pessoas, por exemplo, que passam o dia inteiro trabalhando sentados ou em pé. Uma má alimentação, vícios posturais e falta de exercício físico contribui para o surgimento de dores lombares, por exemplo. Ao chegar no consultório, o médico não irá se preocupar apenas com a dor local, mas a saúde em geral do paciente. Uma anamnese será feita para auxiliar o médico a identificar a patologia e poderá ser solicitado exames de imagem”, explica o reumatologista e fisiatra do CREB – Centro de Reumatologia, Ortopedia e Fisioterapia e professor da UFRJ, Dr. Haim Maleh.
Lombalgia não é incomum
Segundo ele, uma lombalgia pode provocar radiação para os pés ou dedos, dormência e dor na perna também. “Cada vez mais a lombalgia acomete pessoas de todas as idades. Dor nas costas em pessoas entre 20 e 55 anos não é nada incomum. Percebemos que as pessoas que procuram o consultório com dores intensas nas costas, com radiação para a perna, ficam assustadas. Mas esse tipo de dor é muito comum e tem tratamento. Exames de imagem nos ajudam a indicar a doença e a prescrever o tratamento. O importante, mesmo, é o paciente procurar um médico ao menor sinal de dor.
Evite a auto-medicação
No CREB, utilizamos protocolos que incluem RPG, cinesioterapia, hidroterapia e acupuntura, medicamentos, entre outros, com excelente resposta”, diz. “O que definitivamente não pode é a auto-medicação. É muito comum uma pessoa com dores nas costas utilizar relaxante muscular, sem a orientação médica. Isso deve ser definitivamente evitado. Acima de tudo, é muito importante estabelecer o diagnóstico, isso é, a identificação da causa dessa dor na coluna, que pode ter muitas origens, algumas mais simples, outras mais sérias e complexas, levando a diferentes formas de evolução e tratamento. É muito mais objetivo tratar quando se sabe a causa”, completa.
Segundo o médico, outra atitude comum entre aqueles que sentem dores nas costas mas não procuram um especialista é utilizar compressas quentes ou frias e repousar. “O repouso não é indicado para a lombalgia. Pelo contrário: o paciente deve ser estimulado a continuar suas atividades diárias normalmente, porque do contrário vai prejudicar sua recuperação”, explica o Dr. Haim.
Artrite Reumatóide: pesquisa mostra que paciente acha que o dano articular pode ser reversível, o que não é verdade
A artrite reumatóide é uma doença inflamatória auto imune crônica e progressiva, que destrói as articulações do corpo. Amarrar o cadarço do tênis, pentear os próprios cabelos, abrir a torneira ou simplesmente segurar um copo são tarefas que podem deixar de ser simples para mais de 1,5 milhão de brasileiros, segundo as estatísticas oficiais, que têm artrite reumatóide e muitas vezes ficam impossibilitados de trabalhar e realizar atividades simples do cotidiano.
Uma pesquisa intitulada “O Impacto da Artrite Reumatoide no Brasil” revela que 61% dos entrevistados no Brasil (contra 74% da média mundial) acreditam ter um bom conhecimento sobre como controlar a doença, enquanto 81% (contra 91% da média mundial) sabem que é fundamental ter um controle sobre ela. Mas 74% dos entrevistados (contra 66% da média mundial) acham que o dano articular pode ser reversível, o que não é verdade. Ainda que em torno de quatro em cinco pacientes brasileiros tenham consciência de que a artrite reumatoide pede cuidados especiais, somente três em cinco entendem o caráter degenerativo da doença e que ela pode afetar outras partes do organismo, além das juntas.
“A artrite reumatóide caracteriza-se por inflamação das articulações, provocada por uma reação inflamatória, com presença de algumas substâncias, entre elas a interleucina 6, que destroem progressivamente a cartilagem e os ossos ao redor das articulações, causando dor, edema e prejudicando sua função e limitando os movimentos. Além do comprometimento das articulações, ocorrem sintomas físicos como cansaço intenso, decorrente da anemia que a doença provoca. Os sintomas iniciais são fadiga inexplicável, rigidez prolongada das articulações pela manhã, além de edema e vermelhidão. Esse quadro muitas vezes é confundido com o reumatismo comum, o que retarda o diagnóstico correto e o início precoce do tratamento”, explica o Dr. Haim Maleh, fisiatra e reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, e professor de reumatologia da UFRJ.
Segundo ele, “ao contrário do que muita gente pensa, a atrite reumatóide não é uma doença que acomete apenas pessoas da terceira idade. Mulheres na faixa dos 30 aos 50 anos são as principais vítimas da doença. Muitas pessoas acreditam que as doenças reumáticas são exclusivas na terceira idade, o que é um engano. A artrite reumatóide, por exemplo, afeta diretamente a qualidade de vida do paciente e logo que surge, aos primeiros sinais, como por exemplo dor nas juntas, em especial das mãos e dos pés, deve-se procurar um médico reumatologista”.
A doença persiste por toda a vida do paciente e normalmente se inicia nas mãos ou pés, seguindo para cotovelos, ombros, joelhos e quadris. Sua causa é desconhecida, mas acredita-se que pode estar associada a fatores genéticos e ambientais, determinadas infecções, hormônios femininos, resposta do organismo a episódios de extremo stress, traumas físicos ou emocionais. O Dr. Haim Maleh explica que o maior problema encontrado é a demora para diagnosticar a doença, que exige tratamento contínuo. Para chegar ao diagnóstico da artrite reumatóide, o reumatologista analisa a história clínica do paciente, realiza exames físicos das articulações e solicita análise laboratorial, radiografias. A ultrassonografia com power doppler também é um exame complementar que permite visualizar a presença de inflamação ativa na articulação, auxiliando no diagnostico, acompanhamento e resposta ao tratamento dos pacientes com a doença . Além disso, exames de sangue também auxiliam na avaliação do processo inflamatório.
O Dr. Haim Maleh acha preocupante os resultados da pesquisa, já que a erosão óssea provocada pela doença pode ser prevenida, porém nunca revertida. Ele lembra que é fundamental que o paciente procure um especialista para estabelecer um tratamento que devolva a qualidade de vida perdida. “A artrite reumatóide é uma doença de longa evolução. Há tratamentos, que estão cada cada vez mais avançados, sendo possível devolver ao paciente a qualidade de vida perdida. O tratamento traz alívio da dor, bem estar e principalmente pode evitar e prevenir alterações articulares, quando iniciado precocemente. O tratamento deverá sempre, além de medicamentos, contar com a reabilitação física, entre as quais eletroterapia, cinesioterapia ,acupuntura e hidroterapia, que é uma medida de grande auxílio para esses pacientes, especialmente quando realizada em piscinas apropriadas, como nas que utilizamos no CREB”, diz ele.
Fasciíte plantar: há tratamento para viver bem, feliz e sem dor
Dor aos primeiros passos pela manhã e sensação de incômodo ou de queimação nos pés, que se repete ao pisar no chão depois de longo período de descanso, são sinais de fasciíte plantar. “A fasciíte plantar é um processo de inflamação na planta do pé, muito frequente em atletas e pessoas acima do peso, que iniciam prática de atividade física. É mais comum nas mulheres que em homens, especialmente após 40 anos. A fasciíte pode ser também um sintoma de outras doenças, como o diabetes e a artrite reumatóide, sendo portanto importante que seu reumatologista, ortopedista ou fisiatra determinem a causa para um adequado tratamento”, explica o médico fisiatra Antônio D’Almeida, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
Segundo o médico, o diagnóstico pode ser feito a partir de exame raio-x, ultrassonografia e, em alguns casos, ressonância magnética, além, claro, do exame do médico. A baropodometria dinâmica computadorizada é um exame complementar que também pode ser solicitado pelo médico, já que trata-se de um exame de alta precisão, disponível no CREB, que indica as alterações posturais do pé. O tratamento pode ser feito com o uso de palmilha ortopédica, medicamentos e medidas de reabilitação, entre as quais fisioterapia, acupuntura e cinesioterapia, buscando equilíbrio corporal através do alongamento da musculatura das costas, coxas, pernas e pés. “Também podemos contar com um novo tratamento, chamado TOC – Terapia de Ondas de Choque, que produz ondas físicas de alta intensidade, não invasivo, praticamente indolor, que leva a desinflamação do local com sucesso em 75% a 80% dos casos”, complementa o Dr. Antônio D’Almeida.
– Para evitar a fasciíte plantar, é importante fazer alongamentos da musculatura posterior e utilizar calçados específicos e apropriados ao seu pé, que o exame da baropodometria dinâmica computadorizada ajuda a determinar. O importante é que há tratamento para a fasciíte plantar e o paciente pode viver bem, feliz e sem dor – finaliza ele.
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