Mochilas pesadas, problemas para o estudante
O ano letivo escolar está para começar e, com ele, está de volta um problema sério, de difícil solução, que pode trazer sérias consequências para as crianças
O uso de mochilas cada vez mais carregadas e, consequentemente, pesadas. Mochila inadequada e pesada demais pode ser sinônimo de lesões e até doenças crônicas na coluna vertebral.
Uma pesquisa recente realizada no Cincinnati Children’s Hospital, nos Estados Unidos, revelou que 23% das crianças que chegaram à clínica com dores nos ombros tinham lesões causadas pelo uso inadequado da mochila. Essas crianças apresentaram queixas de dores nos ombros e coluna.
“Esse é um problema sério, porque a lista de material aumenta cada vez mais, os livros são grandes e pesados e fica difícil achar uma solução. Muitas escolas adotaram armários para alunos, mas como os deveres são feitos em casa, os livros precisam ser transportados nas mochilas. O ideal é que a bolsa não pese mais de 10% do peso corporal da criança e que tenha duas alças, as de uma alça só sobrecarregam apenas um ombro”, explica Haim Maleh, fisiatra e reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia.
Como usar a mochila para evitar dores
O mau uso da mochila, alerta ele, pode ocasionar desconfortos, distensões musculares e alterações posturais. Mesmo mochilas de rodinhas podem gerar problemas, pois se puxadas de maneira inadequadas podem trazer as mesmas consequências. “A alça da mochila de rodinhas tem que ter uma altura adequada e, ainda assim, o peso também deve ficar na mesma proporção, ou seja, até 10% do peso da criança. Ao primeiro sinal de queixa da criança, um médico deve ser procurado”, alerta o Dr. Haim Maleh.
– O uso da mochila é inevitável. Então, deve-se observar alguns pequenos detalhes. A mochila jamais deve ser utilizada em um ombro só. Inclusive há modelos de uma só tira, que devem ser evitadas. O peso deve ser dividido entre os dois ombros. As tiras deve ser preferencialmente acolchoadas e ajustadas para que a mochila fique rente ao corpo. O ideal é que a largura da mochila não ultrapasse a largura da criança. Mochilas com muitos bolsos extras significam mais peso, então evite. Alguns modelos contam com cinto abdominal, o que é bom para dar firmeza à mochila. Mas volto a dizer, ao menor sinal de dor, um médico deve ser procurado – diz.
Atletas de alto rendimento sofrem com lesões
As olimpíadas e as paralimpiadas apresentam atletas que parecem superar os limites humanos, como Usain Bolt, o corredor jamaicano que consegue atravessar 100 metros em inacreditáveis menos de 10 segundos. A ideia de que esses atletas estão imunes a problemas físicos, no entanto, é uma fantasia. Muito pelo contrário: atletas de alto rendimento sofrem seguidas lesões, por conta de um dia a dia com pesados treinamentos e uma exaustiva rotina de competições.
“Esses super atletas não estão isentos de sofrer lesões. Pelo contrário. Há toda uma equipe multidisciplinar, com médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, oferecendo todo suporte para que se mantenham aptos à prática de sua atividade profissional. Eles precisam se cuidar para não sofrerem lesões constantes”, explica o ortopedista e especialista em medicina do esporte, o Dr. João Marcelo, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
No atletismo são comuns os estiramentos devidos a uma sobrecarga na atividade do músculo
“No atletismo, são comuns os estiramentos devidos a uma sobrecarga na atividade do músculo, rompendo parcial ou completamente as fibras musculares. Corredores de maratona costumam ser acometidos pela síndrome do Trato Iliotibial, mais conhecida como “joelho do corredor”. Trata-se de uma tensão no trato iliotibial (fáscia localizada na face externa da coxa), gerando atrito entre o mesmo e a região lateral do fémur. Tendinites e lesões no manguito rotador (conjunto dos músculos rotadores do ombro que atuam como principais estabilizadores) também são muito comuns”, lista o médico.
“Muitos desses problemas podemos evitar. Oferecemos, no CREB, a avaliação muscular isocinética por dinamometria computadorizada, um exame indolor, de alta sofisticação, que determina, de forma objetiva, qual músculo ou grupo muscular está fragilizado e, com isso, focamos na prevenção ou tratamento de forma bastante objetiva. Esse exame é recomendado não apenas para atletas, mas também para pessoas que tenham, por exemplo, problemas degenerativos, como a artrose de quadril ou de joelho, que tem fragilidade muscular. Sabendo-se disso e identificando-se o grupo muscular fragilizado, os resultados do tratamento são muito bons, beneficiando essas pessoas também”, pontua o ortopedista.
Esportes com contato físico, como o futebol, são campeões de lesões e fraturas
Esportes com bastante contato físico, o futebol, o basquete, o handebol e o rugby são campeões de estiramentos musculares, entorses de tornozelo, contusões em coxas e braços, luxações (lesões articulares com deslocamento dos ossos da superfície articular) e fraturas (perda da continuidade óssea fechada ou exposta, podendo apresentar desvios). Já esportes que envolvem luta, como boxe, judô e taekwondo, lista o Dr. João Marcelo, apresentam tendinites de ombros, entorses de tornozelos, lesões ligamentares, luxações, fraturas e contusões diversas. “Também são comuns os Distúrbios da Articulação Têmporo-Mandibular (ATM) por trauma de contato direto, o que causa dor de cabeça, dor de ouvido e zumbidos, dor ou cansaço dos músculos da mastigação, ruídos articulares (estalos ou crepitação) e dificuldade para abrir a boca”, acrescenta.
O médico do CREB diz que levantadores de peso costumam ter lesões ligamentares nos cotovelos e ombros, tendinite patelar e traumas na região cervical, além de condromalácia (a cartilagem articular da patela perde suas substâncias) e osteatrose nos joelhos, acelerada pela sobrecarga de peso. “Já os nadadores apresentam regularmente dermatites e micoses, lombalgia, por conta do estilo borboleta, e tendinite do bíceps. Eles também costumam ter o que chamamos de ‘Joelho de Nadador’, uma lesão que acomete os joelhos, principalmente por conta dos movimento do estilo peito. Problemas nos ombros também são muito comuns”, enumera. Por fim, atletas de vôlei apresentam com muita regularidade entorses de tornozelo, tendinite patelar e lesão de ligamento cruzado anterior do joelho, além de problemas nos ombros e fraturas nas mãos.
Sobrepeso, obesidade e problemas na coluna
De acordo com o IBGE mais de 20% da população brasileira sofre com problemas crônicos na coluna vertebral. Já o excesso de peso atinge cerca de 61,7%, também de acordo com o instituto.
As discussões sobre os impactos que a obesidade causa no corpo humano são frequentes e as consequências podem ser inúmeras, como diabetes tipo 2, aumento de triglicérides, colesterol, pressão alta e o surgimento de doenças cardiovasculares.
Mas um outro problema, também relacionado com o aumento de peso, chama cada vez mais a atenção: as dores na coluna. “Estudos feitos atualmente nos Estados Unidos, país com maior índice de obesidade, apontam que o excesso de peso causa desalinhamento da coluna, não permitindo que ela distribua de forma equilibrada a massa corporal, causando desgaste”, explica Dr Marcio Taubman do CREB.
Adotar hábitos para prevenir as dores nas costas no dia a dia é essencial. “Controle da alimentação, prática de esportes e tratamentos complementares (como o RPG) podem diminuir a probabilidade de você ter esses problemas”, diz Dr Marcio Taubman. Além disso, fique de olho em alguns detalhes do dia a dia:
• Posição correta do computador/notebook: coloque-os sobre uma base para que ele fique na linha dos olhos;
• Proteção das articulações: cotovelos, quadril e joelhos devem estar relaxados e em ângulos de 90°;
• Cadeira com apoio: a lombar precisa estar protegida;
• Pausas a cada meia hora: durante elas, caminhe pela casa e alongue o corpo;
• Sono de qualidade: tente dormir de sete a oito horas por noite;
• Exercícios físicos regulares: afinal, eles são essenciais para prevenir os incômodos.
Atendimento médico especializado no Rio de Janeiro:
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Atendimento médico Ortopedia e Fisioterapia em São Paulo:
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