Tipo popular de operação de joelho tem pouca eficácia na maioria dos pacientes
Milhares de pessoas podem estar se submetendo a um popular procedimento para o joelho sem necessidade. Comumente realizada por atletas e idosos, a artroscopia é pouco eficiente na maioria dos casos, segundo um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”. Mas, por ser pouco invasiva, é hoje a cirurgia ortopédica mais comum nos EUA: são cerca de 700 mil por ano, representando um custo estimado de US$ 4 bilhões.
Cientistas finlandeses avaliaram indivíduos com rompimento do menisco, uma cartilagem em forma de meia lua que ajuda a amortecer e estabilizar os joelhos. E sugerem que a cirurgia, cujo nome técnico é meniscectomia parcial artroscópica, é até eficiente, mas para um número reduzido de pacientes. Cerca de 80% das lesões ocorre por degeneração das articulações, o que está relacionado à artrose. Alguns pesquisadores acreditam que, nestes casos, a operação não tem muito resultado.
— Pesquisadores vêm gradualmente mostrando que esta operação não tem muito valor — afirmou ao “New York Times” David Felson, professor de Medicina e Epidemiologia na Universidade de Boston.
No Brasil, também é popular. Geralmente, durante o procedimento, é feita uma pequena incisão com o bisturi e, em seguida, acomodado um artroscópio, um dispositivo acoplado a uma câmera. A partir das imagens geradas, o médico suaviza as bordas irregulares do menisco. É um processo relativamente simples e de rápida recuperação, o que aumenta o número operações.
Para o ortopedista especialista em cirurgia do joelho, João Maurício Barretto, chefe da do serviço de Ortopedia da Santa Casa da Misericórdia do Rio, ela tem baixo risco e alivia as fortes dores na articulação. Porém, concorda que muitas vezes é contra-indicada.
— O resultado da cirurgia tem uma íntima relação com a qualidade da indicação, ou seja, por que ela está sendo feita. O que se vê hoje é que há um abuso. Médicos indicam a operação baseados só em ressonância magnética. Às vezes, o paciente tem outros problemas, e a cirurgia acaba adiantando pouco ou nada — comenta Barretto.
O especialista explica que a primeira abordagem deve ser clínica: com fisioterapia e exercícios. Eventualmente, se as dores não melhorarem e o paciente não tiver outros motivos relacionados aos sintomas, é indicada a artroscopia.
— A cirurgia deve ser o último recurso. Ele tem que estar com muita dor, que não tenha melhorado com tratamento conservador, e tenha uma diminuição grande da mobilidade — avalia Arnaldo Libman, fisiatra e diretor médico do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo (Creb).
Para evitar a cirurgia, Libman aconselha tentar antes medicamentos, sessões de hidroterapia, acupuntura, reabilitação, fortalecimento da musculatura no entorno do joelho e até a chamada disco suplementação (injeções de ácido hialurônico). Outros exames, como a avaliação tridimensional do movimento do pé, também são indicados.
Cirurgia falsa para estudo
No estudo finlandês, os voluntários receberam anestesia e incisões. Enquanto alguns passaram pelo procedimento cirúrgico, outros, apenas por simulações. Um ano depois, a maioria disse se sentir melhor, inclusive os da cirurgia falsa.
— Isto dá mais credibilidade a outras pesquisas que têm demonstrado que a artroscopia nem sempre faz diferença — disse ao “New York Times” David Jevsevar, presidente de um comitê da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos.
O estudo envolveu cinco hospitais e 146 pacientes, com idades entre 35 e 65 anos, com lesões e dor no joelho. Metade ainda tinha problemas mecânicos, como travamento ou estalos na articulação.
Uma boa noite de sono é fundamental para a qualidade de vida
Um terço da nossa vida é dedicado ao sono e isso já é um motivo suficientemente forte para darmos mais atenção a este assunto. Mas não é o que geralmente acontece. A maioria das pessoas trata o sono como uma simples atividade do seu dia-a-dia e não se preocupa em buscar uma maior qualidade a este sono, utilizando, por exemplo, travesseiro e colchão adequados, além de um ambiente propício. Noites mal dormidas podem se transformar em mau humor, dor na coluna, dor de cabeça, indisposição e, mais do que isso, menos qualidade de vida.
“Estudos comprovaram que durante o sono é que o nosso organismo produz serotonina, substância P e melatonina, ou seja, substâncias que nos produzem sensações de bem-estar e agem como filtros do nosso organismo a situações de estresse e ansiedade. Aliás, uma das doenças mais freqüentes causadas pela baixa presença destas substâncias é a fibromialgia. Além disso, durante o sono aumentamos a nossa capacidade de produzir defesas e mais nutrientes para o nosso organismo. Quem repousa tende a ter mais saúde do que aqueles que não dormem bem”, explica o Dr. Antônio d’Almeida Neto, reumatologista e fisiatra do CREB, Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
– Na fase do nascimento até os 5 anos, é durante o sono que as crianças crescem, entre 20 horas e 24 horas. E no caso de crianças a partir de 10 anos, esse processo de crescimento também acontece durante o sono, entre 22 horas e 2 horas – acrescenta ele.
Segundo o médico do CREB, estudos indicam que o ser humano precisa, em média, de sete horas de “bom e regular sono”. Segundo ele, “mais importante que a quantidade de horas dormidas é a qualidade do sono. Entre as 22 horas e 2 horas, atinge-se a maior profundidade do sono. Numa escala de 1 a 5, que são os níveis do sono, é nesta fase que se atinge a escala 5”. O dr. Antônio garante que é preciso buscar um ambiente sossegado, sem barulhos, para um bom sono. E dá uma dica para aqueles que têm dificuldade de dormir: ouvir música de câmara, baixinho, ajuda a estimular o sono.
O colchão e o travesseiro devem merecer atenção especial. Em relação ao travesseiro, o médico do CREB explica que ele precisa ocupar o espaço entre o colchão e o rosto da pessoa, permitindo que seu pescoço fique numa posição reta e preenchido o espaço entre a cabeça e o colchão. Quanto ao colchão, os cuidados devem ser redobrados.
– O conceito tradicional que colchão ortopédico é o colchão duro cai em desuso. Não é você que tem que se amoldar ao colchão e sim vice-versa. Ele precisa ser suficientemente macio e firme. Por isso é fundamental adequá-lo ao seu peso. Pessoas entre 40 e 60 quilos devem optar pela densidade D28. Acima de 60 e até 80 quilos, escolha a densidade D33. Acima disto, opte pela densidade D45, até 90 quilos, e acima deste peso deve-se utilizar a densidade D60. O colchão pode se de espuma ou de molas, mas no caso de molas o ideal é colchão de molas individuais porque o colchão de molas com tela metálica não possibilita a distribuição homogênea do peso do casal – ensina o médico.
Jovens também são acometidos pela gota
É cada vez maior o número de pacientes jovens que procuram um reumatologista por conta da gota. Também conhecida como artrite gotosa, a gota é uma doença metabólica, cuja principal característica de quem é acometido por ela é o alto índice de ácido ú...
É cada vez maior o número de pacientes jovens que procuram um reumatologista por conta da gota. Também conhecida como artrite gotosa, a gota é uma doença metabólica, cuja principal característica de quem é acometido por ela é o alto índice de ácido úrico. A gota apresenta cristais de ácido úrico intra-articular, que causam inflamação, uma dor lancinante e vermelhidão no local. Geralmente, no início, atinge o dedão do pé (podagra) ou mesmo outras articulações do pé, joelho e tornozelo.
A gota provoca um depósito de ácido úrico nas articulações
“Ao contrário do que se imagina, a gota está longe de ser uma doença exclusiva da terceira idade, embora tenhamos um alto número de pacientes idosos acometidos por ela. Não é uma doença exclusivamente articular. O alto índice de ácido úrico é uma das principais características das pessoas com gota, mas isso não é absolutamente determinante: temos pessoas que podem ter um índice alto de ácido úrico e não ter o problema, e vice-versa”, afirma o Dr. Sergio Rosenfeld, reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
O reumatologista explica que a gota provoca um depósito de ácido úrico nas articulações, o que acontece, em geral, por alteração do PH local. “ É fundamental que a pessoa se trate e procure um reumatologista regularmente. E é preciso ficar muito atento, porque a gota pode atingir órgãos como o rim, e estar acompanhada de outros problemas, como diabetes e hipertensão arterial, daí a importância de se ter um diagnóstico precoce e tratar. Quem já teve sabe o tamanho da dor que a doença traz”. Ele pontua que a doença tem tratamento, que é medicamentoso e prevê uma dieta especial para baixar o nível de ácido úrico.
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