Desgaste do tênis mostra tipo de pisada
Uma série de problemas que ataca o tornozelo, passa pelo joelho e chega até a coluna vertebral pode estar começando nos pés. E uma boa dica para se avaliar isso é olhando a sola de seu tênis. A dica é da ortopedista e traumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo -, especializada em pés, a Dra. Flávia Junqueira. Segundo ela, o desgaste da sola do tênis ou sapato demonstra a forma como a pessoa pisa.
“Há três tipos de pisadas: a pisada neutra, a pisada pronada e a pisada supinada”, ensina a médica do CREB. No caso da pisada pronada, a pessoa pisa mais para dentro e, por isso, a parte de dentro da sola do calçado gasta mais rapidamente. “Já a pisada supinada é o contrário: a pessoa pisa mais para fora e, assim, a parte externa da sola gasta primeiro”. A pisada neutra, como o próprio nome diz, é equilibrada.
Segundo a ortopedista e traumatologista, a forma como a pessoa pisa pode ser o início de uma série de problemas, e os mais comuns são dores no joelho e na coluna. “É muito importante que se faça uma avaliação criteriosa do tipo de pisada, feita pelo ortopedista. Em muitos casos, isso deveria ter sido feito já na infância, pois o médico pode orientar desde então o tipo certo e específico de calçado a ser usado. O mercado oferece hoje tênis especializados para os tipos de pisadas, o que traz conforto e segurança para o usuário. Mas consultar um especialista é fundamental porque muitas vezes uma dor no joelho não é fruto, por exemplo, de uma lesão no local, mas sim de um problema no pé. Um especialista saberá diagnosticar o problema e indicar o calçado e o tratamento corretos”, garante ela.
Lúpus: saiba mais sobre a Doença Autoimune
Compreendendo melhor a Doença Autoimune do Milênio, o Lúpus.
O que é o Lúpus?
O lúpus eritematoso sistêmico (LES), comumente chamado apenas de lúpus, é uma doença autoimune crônica e complexa que pode afetar praticamente qualquer órgão ou sistema do corpo. Nesta condição, o sistema imunológico, que normalmente protege o organismo contra infecções, produz autoanticorpos que atacam as células e tecidos saudáveis, causando inflamação e danos.
Esta doença afeta predominantemente mulheres em idade reprodutiva (15-35 anos), com uma proporção de aproximadamente 9 mulheres para cada homem diagnosticado. Embora sua causa exata ainda seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais contribuam para o seu desenvolvimento.
Epidemiologia e Prevalência do Lúpus
A prevalência do lúpus varia conforme a região geográfica e grupo étnico:
- Estima-se que a doença afete cerca de 5 milhões de pessoas em todo o mundo.
- No Brasil, a prevalência é de aproximadamente 8,7 casos para cada 100.000 habitantes.
- Mulheres afrodescendentes e hispânicas apresentam maior risco de desenvolvimento da doença e tendem a manifestá-la de forma mais grave.
- A taxa de sobrevida de 10 anos ultrapassa 90% em países desenvolvidos, um aumento significativo em relação aos 50% de décadas atrás.
Manifestações Clínicas
O lúpus é conhecido como "o grande imitador", pois seus sintomas podem se assemelhar aos de várias outras doenças. As manifestações clínicas são extremamente variáveis entre os pacientes e podem incluir fadiga persistente (presente em até 90% dos pacientes), febre inexplicada, perda de peso involuntária, artrite não erosiva, dor muscular, dor articular, rigidez matinal, rash malar (em "asa de borboleta") - eritema sobre o nariz e bochechas, fotossensibilidade, úlceras orais e nasais indolores, manifestações renais, cardiovasculares e pulmonares; além de questões neuropsiquiátricas e hematológicas.
Diagnóstico do Lúpus
O diagnóstico do lúpus é baseado na combinação de achados clínicos e laboratoriais. Em 2019, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR) e a Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR) estabeleceram novos critérios de classificação, que incluem critérios clínicos, imunológicos e exames complementares.
Tratamento do Lúpus
O tratamento do lúpus é individualizado, considerando a gravidade da doença, os órgãos afetados e as comorbidades do paciente. O objetivo é controlar os sintomas, prevenir danos aos órgãos e melhorar a qualidade de vida. O protocolo de tratamento poder vir a abordar tratamento Farmacológico com anti-inflamatórios, antimaláricos, glicocorticoides, imunossupressores e agentes biológicos. E ainda um tratamento Não Farmacológico, com fotoproteção, alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do Estresse e suspensão do tabagismo.
Complicações e Comorbidades do Lúpus
Pacientes com lúpus apresentam maior risco para certas complicações e comorbidades:
Aterosclerose Precoce
- Risco aumentado de eventos cardiovasculares
- Necessidade de controle rigoroso dos fatores de risco tradicionais
Infecções
- Principal causa de morbidade e mortalidade
- Risco aumentado devido à imunossupressão
Osteoporose
- Secundária ao uso prolongado de corticosteroides
- Necessidade de suplementação de cálcio e vitamina D
Síndrome Antifosfolípide
- Tromboses venosas e arteriais
- Complicações obstétricas
Complicações Durante a Gravidez
- Maior risco de pré-eclâmpsia
- Parto prematuro
- Abortamentos recorrentes
Prognóstico e Qualidade de Vida
O prognóstico do lúpus melhorou consideravelmente nas últimas décadas, graças aos avanços no diagnóstico precoce e nas opções terapêuticas. Fatores associados ao pior prognóstico incluem: envolvimento renal ou neurológico grave, etnia afrodescendente ou hispânica, presença de anticorpos antifosfolípides e baixa adesão ao tratamento.
Vivendo com Lúpus
O lúpus é uma doença crônica que exige adaptações no estilo de vida, mas com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes pode levar uma vida produtiva e satisfatória. Recomendações importantes incluem:
- Acompanhamento médico regular
- Adesão estrita ao tratamento prescrito
- Reconhecimento dos fatores desencadeantes de surtos
- Equilíbrio entre atividade e repouso
- Participação em grupos de apoio
- Comunicação aberta com familiares e empregadores sobre as limitações impostas pela doença
Perspectivas Futuras
A pesquisa sobre o lúpus continua avançando em diversas frentes, com desenvolvimento de biomarcadores mais precisos para monitoramento da atividade da doença, novas terapias-alvo com melhor perfil de eficácia e segurança.
Uma Medicina de precisão, com tratamentos personalizados baseados no perfil genético e imunológico do paciente e pesquisas sobre os fatores ambientais envolvidos no desenvolvimento da doença.
Conclusão
O lúpus, apesar de ser uma doença complexa e desafiadora, tem hoje um panorama muito mais promissor do que há algumas décadas. O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a abordagem multidisciplinar são fundamentais para controlar a atividade da doença e prevenir danos irreversíveis. Com acompanhamento médico regular e autocuidado, os pacientes com lúpus podem manter boa qualidade de vida e perspectivas positivas para o futuro.
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