Osteoporose não é uma doença exclusiva das mulheres
Ao contrário do que se imagina, a osteoporose não é, definitivamente, uma doença exclusiva das mulheres. Inclusive, esse foi um dos importantes temas do mais recente congresso da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo: um em cada cinco homens, em todo o mundo, são afetados pela osteoporose. E o número de dias não trabalhados por homens na faixa entre 50 e 65 anos, devido a fraturas, cresce vertiginosamente, tornando-se um problema social.
Várias estatísticas foram apresentadas e discutidas no congresso, como, por exemplo, que após a fratura de quadril, homens têm duas vezes mais que mulheres probabilidade de morrer. Outro dado importante é que o risco de um homem sofrer uma fratura osteoporótica é maior do que a possibilidade dele desenvolver um câncer de próstata. O alerta maior, porém, vem da constatação de que um terço de todas as fraturas de quadril no mundo ocorre em homens. Ou seja, é um mito a osteoporose ser uma doença de mulheres.
No Brasil, mais de 10 milhões de pessoas têm osteoporose. No mundo, esse número salta para 200 milhões. Segundo o Dr. Bernardo Stolnick, ortopedista e coordenador do centro de doenças osteometabólicas do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, a osteoporose é caracterizada pela diminuição da massa óssea, com consequente enfraquecimento e fragilidade do osso e, portanto, maior possibilidade de fraturas. “A osteoporose pode ser diagnosticada, com precisão e precocemente, através de um exame de fácil realização, indolor e de alta precisão chamado densitrometria óssea. Enquanto com o raio-x somente podemos detectar a osteoporose quando já há perda de 30% da massa óssea, com esse exame podemos detectá-la quando há perda de menos de 1%. E detectada precocemente, podemos tratá-la com êxito”, explica ele.
Os principais fatores de risco da doença são: ter pele e/ou olhos claros; ser baixa e/ou magra; quem não toma leite ou ingira pouco alimento com cálcio; quem não faz exercício físico; quem toma pouco sol; quem tem parente com a doença; quem sofre de asma (bronquite), artrite ou alergia; fumantes; quem bebe muito café e bebida alcoólica; quem tem menopausa precoce por cirurgia ou não; quem usa antiácidos, anticonvulsivantes, certos diuréticos, heparina e/ou corticóides; e quem tem problema de tireoide. O ortopedista explica que deve-se ingerir alimentos ricos em cálcio, como leite, iogurte natural com pouca gordura, queijo ricota, queijo suíço, queijo provolone, sorvete de baunilha e outras fontes secundárias de cálcio, como sardinha, ostras, ervilhas, couve e brócolis. A prática regular de exercício físico e banhos de sol são muito importantes também. “Até a idade de 30 anos, a mulher constrói e armazena cálcio eficientemente. Então, como parte do processo natural da idade, a formação de novo tecido ósseo diminui e a perda permanente de cálcio se acelera depois da menopausa. Pense no osso como uma espécie de caderneta de poupança. Você somente terá massa óssea na sua poupança na medida que você depositar. Acredita-se que mulheres jovens podem aumentar sua massa óssea em cerca de 20%, um fator crítico na proteção contra a osteoporose”, finaliza o médico.
Osteoporose: especialista ensina a evitar fraturas e melhorar qualidade de vida
Mais Você aborda o tema osteoporose
‘Medicação específica é importante. Alimentação e atividade físicas também’ ressaltou o ortopedista Bernardo Stolnicki
A osteoporose é uma doença silenciosa que atinge 10 milhões de pessoas no Brasil. Muita gente só descobre que tem a doença quando leva um tombo ou sofre uma fratura. Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima de 50 anos sofrem alguma fratura graças a osteoporose durante a vida. “De acordo com os médicos, o grande perigo é a segunda fratura, quando o osso já não está tão forte e as lesões podem ser ainda mais graves”, lembrou Ana Maria.
Na Casa de Cristal, o Mais Você recebeu o ortopedista Bernardo Stolnicki, presidente do Comitê de Doenças Osteometabólicas da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, que mostrou dois tipos de ossos. Um está “saudável” e outro já apresenta problemas de osteoporose. “O osso tem duas camadas: a parte de fora, cortical, e a parte de dentro, a esponjosa. Osteoporose significa osso esponjoso. Quando o osso enfraquece, ele afina a estrutura da parte de fora e muda a estrutura da parte de dentro”, contou o especialista.
Evitando as fraturas
Quando isso acontece, uma queda que, normalmente, não causaria a fratura do osso, pode virar um grande risco. “Nosso grande objetivo é evitar que as pessoas tenham fraturas. Algumas medicações conseguem alterar de maneira suficiente a microarquitetura do osso, que passa a ter um pouco mais de resistência”, ressaltou Bernardo.
A atividade física é um dos aliados do combate à doença. “Medicação específica é importante. Alimentação e atividade físicas também são detalhes importantes para o tratamento. Com a mudança da qualidade de vida, você consegue evitar as fraturas”, indicou o ortopedista.
A importância do sol para prevenir a doença
Um aliado ao combate da osteoporose é o sol. Ele ativa a vitamina D, que ajuda a fixar o cálcio no osso. Porém, um alerta: se você usar protetor solar, não conseguirá o efeito desejado. “Sou a favor do uso do filtro solar. Porém, existe uma janela de horário em que os dermatologistas permitem que você pegue sol sem filtro: 8h, 17h. Meia hora por dia é suficiente”, indicou Bernardo.
Muitas vezes, a pele idosa não consegue absorver muito bem os raios ultravioletas para ativar a vitamina D. Alguns alimentos, como o ovo, o peixe e a carne, possuem vitamina D, mas em quantidade muito pequena. Em alguns casos, a saída é o complemento. “O ideal é que você tome um suplemento. A partir da menopausa, a mulher deve ficar de olho nisso. Estamos vivendo mais, o segredo é viver melhor”, recomendou o ortopedista.
Uso de antidepressivos pode aumentar o risco de fraturas
Um estudo científico demonstrou que há relação entre o uso de antidepressivos e o risco de fraturas. Segundo esta pesquisa, que identificou e analisou 1.217.464 indivíduos, os antidepressivos teriam uma ação direta no metabolismo ósseo e estariam associados com risco aumentado de fratura, porque inibidores da recaptação da serotonina (SSRI – citalopram, fluoxetina, sertralina e outros) e antidepressivos tricíclicos (TCA – amitriptilina, clomipramina e outros) são associados com um moderado e clinicamente significativo aumento do risco de fraturas de todos os tipos. Comparados a não usuários, pacientes que utilizam anidepressivo tiveram um aumento de 42% no risco de fratura não vertebral, 47% no risco de fatura de quadril e, finalmente, 38% no risco de fratura vertebral. Outro estudo que associa o antidepressivo ao maior risco de fraturas também levou em consideração a idade dos pacientes.
– Um risco maior de fraturas foi associado com um aumento da dose de ansiolíticos e sedativos; o mais alto risco estava presente nos indivíduos abaixo de 40 anos de idade. Daí em diante, o risco de fraturas diminuiu com a idade. Para SSRI, um crescente risco de fraturas foi visto com dose e idade crescente. A respeito de TCA, nenhuma tendência específica com a idade estava presente. No entanto, um aumento do risco de fraturas foi associado com aumento da dose TCA na faixa etária acima de 60 anos. Finalmente, para outros antidepressivos, nenhuma tendência específica com observou-se a idade ou a dose. Cuidados devem ser tomados na prescrição de ISRS para indivíduos mais velhos – comenta a pesquisa o ortopedista Bernardo Stolnicki, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
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