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O componente genético influencia as doenças articulares? Reumatologista do CREB responde

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componente genético influenciando o aparecimento de doenças articulares

“O envelhecimento de forma saudável, sem a presença de doenças crônicas, está diretamente relacionado à presença de uma carga genética formada por ‘genes bons’. Da mesma forma, quando as pessoas ficam doentes, com uma doença grave, os ‘genes ruins’ herdados podem ser uma causa. É importante notar que a maioria das doenças não é determinada apenas por fatores genéticos. O estilo de vida sedentário, uma dieta desregrada e exposição a fatores ambientais podem desencadear principalmente doenças metabólicas”.

A afirmação é da Dra Euriana Travagim, reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo. Segundo ela, é muito comum que pacientes perguntem se existe um componente genético influenciando o aparecimento de doenças articulares e, entre elas, quais possuem um componente genético. A osteoartrite, mais conhecida como artrose, por exemplo, é uma das doenças ostearticulares mais comuns, caracterizada pelo desgaste da cartilagem, resultando na degeneração da articulação, ocorrendo predominantemente à partir dos 60 anos de idade. “Tal doença está intimamente relacionada a influência de outros fatores, como obesidade, lesões articulares prévias, envelhecimento . Porém existem formas hereditárias de osteoartrite que são causadas por mutações nos genes do colágeno. Este tipo de osteoartrite, bastante incomum, ocorre em pacientes jovens, resultando ente danos graves articulares. Cerca de 40 a 65% da osteoartrite tem um componente genético, com uma ligação mais forte para os casos de mão e quadril. Não existe um único gene que cause osteoartrite, mas sim o envolvimento de vários genes”, explica ela.

Já a artrite reumatoide, classificada como uma doença autoimune, tem fatores genéticos. “A AR tem como alvo principal a membrana sinovial das articulações, tecido responsável por nutrir a articulação. Nessa doença o sistema imunológico ‘ataca’ erroneamente as articulações, resultando em inchaço, calor articular, e dor intensa. Alguns fatores ambientais, tais como infecção e tabagismo, podem desencadear a desregulação a do sistema imunológico em pessoas geneticamente suscetíveis. Além disso, existem mais de 100 genes que podem estar ligados à AR”, diz a médica do CREB.

Por último, ela destaca a espondilite anquilosante, um tipo de artrite que provoca inflamação nas articulações da coluna vertebral e está associado a presença de um gene, presente em 90% dos pacientes, chamado HLA-B27. “A doença é caraterizada pela presença de dor lombar com rigidez.

Nesses casos, a história familiar também desempenha um papel na suscetibilidade da doença, já que pessoas que têm um membro da família, principalmente parentes de primeiro grau, com espondilite anquilostante, são mais propensas a desenvolver a doença em comparação com aqueles sem história familiar”, finaliza ela.


Tipo popular de operação de joelho tem pouca eficácia na maioria dos pacientes

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Milhares de pessoas podem estar se submetendo a um popular procedimento para o joelho sem necessidade. Comumente realizada por atletas e idosos, a artroscopia é pouco eficiente na maioria dos casos, segundo um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”. Mas, por ser pouco invasiva, é hoje a cirurgia ortopédica mais comum nos EUA: são cerca de 700 mil por ano, representando um custo estimado de US$ 4 bilhões.

Cientistas finlandeses avaliaram indivíduos com rompimento do menisco, uma cartilagem em forma de meia lua que ajuda a amortecer e estabilizar os joelhos. E sugerem que a cirurgia, cujo nome técnico é meniscectomia parcial artroscópica, é até eficiente, mas para um número reduzido de pacientes. Cerca de 80% das lesões ocorre por degeneração das articulações, o que está relacionado à artrose. Alguns pesquisadores acreditam que, nestes casos, a operação não tem muito resultado.

— Pesquisadores vêm gradualmente mostrando que esta operação não tem muito valor — afirmou ao “New York Times” David Felson, professor de Medicina e Epidemiologia na Universidade de Boston.
No Brasil, também é popular. Geralmente, durante o procedimento, é feita uma pequena incisão com o bisturi e, em seguida, acomodado um artroscópio, um dispositivo acoplado a uma câmera. A partir das imagens geradas, o médico suaviza as bordas irregulares do menisco. É um processo relativamente simples e de rápida recuperação, o que aumenta o número operações.

Para o ortopedista especialista em cirurgia do joelho, João Maurício Barretto, chefe da do serviço de Ortopedia da Santa Casa da Misericórdia do Rio, ela tem baixo risco e alivia as fortes dores na articulação. Porém, concorda que muitas vezes é contra-indicada.

— O resultado da cirurgia tem uma íntima relação com a qualidade da indicação, ou seja, por que ela está sendo feita. O que se vê hoje é que há um abuso. Médicos indicam a operação baseados só em ressonância magnética. Às vezes, o paciente tem outros problemas, e a cirurgia acaba adiantando pouco ou nada — comenta Barretto.

O especialista explica que a primeira abordagem deve ser clínica: com fisioterapia e exercícios. Eventualmente, se as dores não melhorarem e o paciente não tiver outros motivos relacionados aos sintomas, é indicada a artroscopia.

— A cirurgia deve ser o último recurso. Ele tem que estar com muita dor, que não tenha melhorado com tratamento conservador, e tenha uma diminuição grande da mobilidade — avalia Arnaldo Libman, fisiatra e diretor médico do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo (Creb).

Para evitar a cirurgia, Libman aconselha tentar antes medicamentos, sessões de hidroterapia, acupuntura, reabilitação, fortalecimento da musculatura no entorno do joelho e até a chamada disco suplementação (injeções de ácido hialurônico). Outros exames, como a avaliação tridimensional do movimento do pé, também são indicados.

Cirurgia falsa para estudo

No estudo finlandês, os voluntários receberam anestesia e incisões. Enquanto alguns passaram pelo procedimento cirúrgico, outros, apenas por simulações. Um ano depois, a maioria disse se sentir melhor, inclusive os da cirurgia falsa.

— Isto dá mais credibilidade a outras pesquisas que têm demonstrado que a artroscopia nem sempre faz diferença — disse ao “New York Times” David Jevsevar, presidente de um comitê da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos.

O estudo envolveu cinco hospitais e 146 pacientes, com idades entre 35 e 65 anos, com lesões e dor no joelho. Metade ainda tinha problemas mecânicos, como travamento ou estalos na articulação.

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Fumo pode estar relacionado ao desenvolvimento da osteoporose

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Você sabia que o cigarro pode estar relacionado ao desenvolvimento da osteoporose? E que também atrapalha a consolidação óssea, leva ao retardo e a pseudartrose na fratura, obstrui a microcirculação dos tensões e inúmeros trabalhos científicos atesta...

Você sabia que o cigarro pode estar relacionado ao desenvolvimento da osteoporose? E que também atrapalha a consolidação óssea, leva ao retardo e a pseudartrose na fratura, obstrui a microcirculação dos tensões e inúmeros trabalhos científicos atestam que quem fuma tem maior chance de desenvolver rupturas do manguito roteador e pior prognóstico após a ruptura destes tendões? Pouco se divulga, mas o fumo também pode provocar lesões ortopédicas.

O fumo atrapalha o metabolismo do cálcio

“O cigarro deve ser terminantemente proibido para aqueles que estão em processo de cicatrização de uma fratura, porque o fumo atua de forma negativa diretamente na consolidação óssea. Obviamente que não se pode interferir no quanto aquele paciente já fumou, mas durante a cicatrização o fumante deve evitar a todo custo o cigarro. Esse paciente levará mais tempo para colar uma fratura e se estiver fumando muito pode até acontecer da fratura simplesmente não colar. Neste caso, ele desenvolve o que chamamos de pseudartrose, que é uma falsa articulação”, explica Bernardo Stolnicki, ortopedista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo e coordenador do Prevrefrat CREB – Programa de Prevenção a Refratura da clínica.

O ortopedista diz que o fumo provoca alterações da microcirculação sanguínea, o que pode proporcionar uma maior facilidade para que os tendões inflamem, dificultando a cicatrização dos tecidos tendinosos. “O fumo atrapalha o metabolismo do cálcio e, por isso, pacientes fumantes têm uma maior incidência de osteoporose”, alerta.



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