Osteoporose: prevenção de refraturas pelo CREB é tema do Congresso Brasileiro de Ortopedia
Coordenador do Programa de Prevenção a Refraturas do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo (Prevrefrat CREB), o ortopedista Bernardo Stolnicki fez uma palestra no Congresso Brasileiro de Ortopedia sobre o tema “Como Administrar um FLS (Serviço...
Coordenador do Programa de Prevenção a Refraturas do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo (Prevrefrat CREB), o ortopedista Bernardo Stolnicki fez uma palestra no Congresso Brasileiro de Ortopedia sobre o tema “Como Administrar um FLS (Serviço de Prevenção de Refraturas)”.
Tratar a Osteoporose é um meio de evitar fraturas
Segundo ele, é preciso ter um olhar social sobre a osteoporose e fraturas. “Sinta-se parte e procure colaborar para uma melhor solução global para este grande problema de Saúde Pública que é a Osteoporose e os impactos sociais, econômicos e pessoais das fraturas”, disse para os médicos participantes do congresso. Para o Dr. Bernardo, a FLS é uma missão e é preciso se comprometer com ela. “A missão de um FLS não é tratar a Osteoporose. Tratar a Osteoporose é um meio de evitar fraturas. Essa é a nossa verdadeira missão… Uma vez num Congresso Mundial, me perguntaram a o que eu atribuía os bons resultados do Prevrefrat e eu respondi que eu ficava muito triste quando um paciente tinha uma fratura. Como eu detesto ficar triste, fazia o possível para que ninguém tivesse fraturas”, explicou.
Seja gente cuidando de gente foi um dos recados dele. “Vá além das receitas e pedidos de exame…. Mostre que você está comprometido e envolvido, que é importante para você que o paciente tenha bons resultados, que ele melhore a sua qualidade de vida. Seja grato… A você foi dada a oportunidade de melhorar a vida de pessoas muito sofridas. Este sentimento de gratidão fará de você um profissional e um ser humano melhor”, disse.
A FLS é, segundo ele, muito trabalhoso, porém muito gratificante. “A gratidão e o carinho que os pacientes manifestam é sensacional. É também uma alegria muito grande quando você vê que a tua equipe coaduna com esses princípios. A minha equipe do Prevrefrat é atenciosa, é carinhosa, é comprometida. É muito bom ser parte de um time desses”, completou.
O Dr. Bernardo finalizou contando a história de Dona Wanda, de 93 anos. “Há 20 anos, me procurou para ser seu médico. Na ocasião ela já tinha tido fraturas no ombro e em duas vértebras. Nesses 20 anos fez uso de diversos medicamentos, fazia atividades físicas regularmente, mantinha uma alimentação balanceada e nutritiva. D. Wanda era ativa e mantinha vida social ativa. Às vezes ficava triste porque muitas de suas amigas já tinham partido. Há 1 mês D. Wanda levou um esbarrão na rua, caiu e teve uma fratura de fêmur. Foi operada por um excelente ortopedista, sua cirurgia ficou muito boa. D. Wanda foi para o CTI, onde faleceu 5 dias depois. Fiquei muito triste com a notícia, tive um sentimento de derrota. Depois de tantos anos, acabar assim… Uma semana depois, seu filho esteve em meu consultório e disse: Dr. Bernardo, vim aqui especialmente para te agradecer que senhor me deu minha mãe por mais 20 anos…. Tenho a certeza que se não fosse o senhor e o tratamento que o senhor deu ela já teria morrido há muito mais tempo por causa de uma fratura”.
Artrose vem dos tempos da Roma Antiga
A artrose é uma doença mais antiga do que se pode imaginar. Uma pesquisa recém realizada, publicada em um livro chamado “Bones: Orthopaedic Pathologies in Roman Imperial Age”, a maior do gênero sobre o tema, chegou a conclusão de que era a artrose qu...
A artrose é uma doença mais antiga do que se pode imaginar. Uma pesquisa recém realizada, publicada em um livro chamado “Bones: Orthopaedic Pathologies in Roman Imperial Age”, a maior do gênero sobre o tema, chegou a conclusão de que era a artrose que fazia com que os moradores do Império Romano ficavam de joelhos, curvando as costas. Para chegar a essa conclusão, a pesquisa estudou nada menos do que dois mil esqueletos encontrados na Roma Antiga.
Os pesquisadores apontam que os romanos sofriam muitas dores nas articulações, fruto dos pesados trabalhos manuais realizados naquela época. Não havia tratamento para tais dores. Segundo os pesquisadores, no máximo a pessoa era colocada sobre uma tábua de madeira, aguardando imóvel a dor diminuir. Segundo o médico Ortopedista italiano Andrea Piccioli, que liderou o estudo, “algumas descobertas nos aparentaram ser tão particulares que não podíamos deixar de pressupor que eles tinham bons conhecimentos sobre as técnicas de cura óssea. Nos pareceu, então, importante procurar a colaboração com especialistas em medicina para entender e analisar a evolução dos conhecimentos médicos e ortopédicos da Roma imperial. Nós conseguimos obter uma fotografia de uma época longínqua, que nos mostrou histórias de homens e de doenças que nos surpreenderam e, às vezes, nos emocionaram. Eram mulheres e homens habituados a viver e trabalhar com doenças dolorosas e invalidantes. Hoje, é impossível apenas pensar em viver com esses sofrimentos físicos”. A pesquisa contou com ortopedistas, antropólogos, radiologistas e historiadores da medicina.
Quanto mais cedo começar o tratamento, melhor será o resultado
A artrose acomete cerca de 15 milhões de brasileiros, sendo a terceira maior causa de afastamento do trabalho no país. Caracterizada pelo desgaste das cartilagens das articulações, a artrose é uma das doenças reumáticas mais comuns. “É um erro dizer que a doença acomete apenas pessoas da terceira idade. É cada vez maior o número de pessoas, na faixa dos 40 anos, que chegam no consultório com quadro de artrose. A doença incide principalmente nas articulações dos joelhos, coluna, quadril, mãos e dedos. No início, ela pode não apresentar os sintomas característicos, entre os quais dor, diminuição dos movimentos, ruído na articulação, as chamadas crepitações, inchaços e até deformidades. Ao menor sinal de dor nas articulações, um médico reumatologista ou fisiatra deve ser procurado. Quanto mais cedo começarmos a tratar, melhor será o resultado”, explica o reumatologista Haim Maleh, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo. O médico diz que o tratamento proporciona alívio da dor e devolve a qualidade de vida perdida. “Utilizamos, no CREB, protocolos que incluem a prática de pilates, RPG, acupuntura e hidroterapia, realizada em nossas piscinas aquecidas, específicas para esse fim”, completa ele.
Tratamento da osteoporose é efetivo, garante pesquisa inglesa
A conceituada revista inglesa The Lancet publicou uma pesquisa, realizada na Inglaterra, sobre um amplo trabalho sistemático de rastreamento no risco de fraturas, com mulheres idosas. Essa pesquisa concluiu a efetividade do tratamento no caso de risc...
A conceituada revista inglesa The Lancet publicou uma pesquisa, realizada na Inglaterra, sobre um amplo trabalho sistemático de rastreamento no risco de fraturas, com mulheres idosas. Essa pesquisa concluiu a efetividade do tratamento no caso de risco de fraturas no quadril. De acordo com a The Lancet, nada menos do que 12.483 mulheres foram identificadas e convidadas a participar da pesquisa e desse total, 6.233 foram escolhidas aleatoriamente a participar e fazer o diagnóstico de osteoporose. O tratamento pra a doença foi indicado para 898 mulheres (14%) destas 6.233 voluntárias.
No Brasil temos mais de 10 milhões de pessoas acometidas por esta doença
Os pesquisadores ingleses acompanharam o grupo por um ano inteiro, e apurou-se que que o uso do medicamento para osteoporose foi maior neste grupo do que no grupo de controle, ou seja, 15% comparado a 4% do grupo de controle. Segundo a The Lancet, “a absorção também foi muito maior neste grupo (78% em 6 meses). Em contra partida, Este rastreio não diminuiu a incidência de fraturas relacionadas a osteoporose e nem de fraturas em geral. O único tipo de fratura que teve redução foi as fraturas de quadril. Além disso, não há evidências de que este tratamento gere diferença na mortalidade, níveis de ansiedade ou mesmo na qualidade de vida do paciente”.
– A pesquisa mostra que há uma maior efetividade em fazer screening populacional e tratar a osteoporose. No Brasil temos mais de 10 milhões de pessoas acometidas por esta doença. A osteoporose é uma doença silenciosa, pois muitas vezes é diagnosticada apenas quando acontece uma fratura. É preciso começar a prevenir desde cedo e tratar o quanto antes, evitando fraturas. Esse é o trabalho que fazemos no Prevrefrat CREB – Programa de Prevenção a Refratura do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – afirma o coordenador deste programa, o ortopedista Bernardo Stolnicki.
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