Correr na rua não é tão simples quanto parece
Um dos esportes que mais cresce no mundo, pela sua eficácia e fácil acesso, é a corrida de rua.
Uma boa calçada, tempo e muita disposição são suficientes para se tornar um corredor de rua? A resposta certamente é não. Se praticada de maneira incorreta, esse esporte pode provocar sérias lesões nas articulações, fraturas e até infarto. Tanto que uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos em Esporte e Ortopedia, pela Corpore (a maior organizadora de corridas da América Latina) e pela Sociedade Brasileira de Traumatologia, com nada menos do que 7.731 corredores amadores demonstrou que 71,2% dos entrevistados já sentiram dores em decorrência do esporte e 53,1% já sofreram lesões.
Consulte o seu médico antes de iniciar atividade esportiva
Antes de começar efetivamente a praticar a corrida de rua, é preciso consultar um médico especialista. São três tipos de exames que precisam ser feitos para aferir a saúde do candidato a atleta: o cardiovascular examina a pressão arterial e a frequência cardíaca, o metabólico mede as taxas do sangue, como o colesterol e a glicose, e o biomecânico identifica a pisada do atleta e a angulação dos joelhos.
“Correr não é uma aventura. É preciso ter cuidados para não transformar o esporte e um grande problema. O uso de tênis inadequado, por exemplo, tem relação direta com quatro das nove principais lesões causadas pela prática incorreta deste esporte. Dores constantes na coluna, no quadril, joelho, tornozelo ou pé podem indicar algum tipo de distúrbio nos pés, com alteração no tipo de pisada e consequente desequilíbrio postural. Um médico especialista deve ser consultado para apontar o diagnóstico e o tratamento correto”, explica o ortopedista, especialista em pés e tornozelos, Marcio Taubman, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia.
– O tipo de tênis utilizado é uma preocupação que o corredor não pode deixar de ter. Existem três tipos diferentes de pisadas. A neutra, a supinada, que é para fora, e a pronada, que é para dentro. E há um tipo de tênis para cada caso. Existe um exame, chamado baropodometria computadorizada dinâmica, que avalia o tipo de pisada e revela qual o calçado ideal. Esse exame é muito importante – complementa.
Exame importante para avaliar a sua pisada
A baropodometria computadoriada dinâmica é um moderno exame, que auxilia no diagnóstico de inúmeros problemas dos pés e das dores que afligem as pessoas em caminhadas e corridas. A baropodometria localiza os pontos de apoio na planta do pé durante a pisada e faz a mensuração precisa da pressão exercida sobre cada um destes pontos.
O paciente deve ser avaliado parado e em movimento e esse exame auxilia o médico a determinar se o paciente tem algum problema ou doença. Alterações posturais observadas nesta avaliação podem desencadear dores em regiões como a coluna, quadril, tornozelo, joelho e no próprio pé. “Essas alterações podem ser tratadas com a confecção e uso de uma palmilha chamada palmilha postural. Essa palmilha tem como objetivo reduzir o pico de pressão da pisada e redistribuir corretamente a força de reação ao solo por toda a região plantar”, diz o médico.
Uma simples dor nas costas pode ser um grande problema
Uma simples dor nas costas pode ser um grande problema quando não devidamente e tardiamente diagnosticada “Na verdade, não há simples dor, há dor. Quem a sente, está com dificuldades e sofrendo, portanto merece atenção e, principalmente, uma solução diagnóstica e de tratamento para o seu problema”, pontua o professor de reumatologia da UFRJ e coordenador de reumatologia do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo-, Haim Maleh.
O Dr. Haim conta que em recente revisão, avaliou-se a necessidade do encaminhamento precoce de pacientes suspeitos de serem portadores de espondilite anquilosante para o reumatologista. “Hoje, sabemos que há um espaço considerável de cinco a oito anos do início dos sintomas e o diagnóstico de espondilite anquilosante. Uma das principais causas é o atraso do encaminhamento destes pacientes ao médico especialista em coluna, como o reumatologista ou o fisiatra. A dor na coluna é o principal sintoma da espondilite. Entretanto, a dor permanente na coluna é uma condição extremamente comum e a espondilite é responsável por 5% dos casos”, explica ele.
A Sociedade Internacional de Espondiloartrites (ASAS) criou critérios que devem chamar atenção ao médico para o encaminhamento imediato do paciente ao reumatologista. Devem ser imediatamente encaminhados ao reumatologista ou fisiatra pacientes que apresentem dor nas costas (com duração maior ou igual a 3 meses), cuja dor iniciou antes dos 45 anos eque piore pela manhã, melhorando com os movimentos, presença do HLA-B27, Sacroileíte (dor na virilha) detectada em exames de imagem (RX, tomografia ou ressonância), manifestações extra articulares ( psoríase, doença inflamatória intestinal ou uveíte), outras manifestações articulares como, dor na virilha, calcanhar ou outras articulações podem também fazer parte do quadro clínico.
“Se um paciente apresenta dor nas costas com início antes dos 40 a 45 anos, que piora pela manhã, não deve ficar culpando o colchão e sim procurar um reumatologista ou um fisiatra”, alerta o Dr. Haim Maleh, que tem tese de mestrado sobre a espondilite anquilosante, doença mais comum do que se imagina e que tem possibilidades de tratar e evitar possíveis alterações como restrição dos movimentos da coluna e lesões oculares, entre outros órgãos.
Obesidade, porta aberta para a artrose
"A gordura em excesso no organismo do obeso pode agredir e destruir a cartilagem das juntas, daí o paciente obeso ter maior tendência para desenvolver esse tipo de problema."
Todo mundo sabe que a obesidade é uma porta aberta para uma série de doenças. Poucos, no entanto, costumam associar o sobrepeso aos problemas das doenças da articulação, como a artrose. A verdade é que a obesidade pode, sim, contribuir para a artrose, principalmente nos joelhos, no quadril e na coluna.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), praticamente metade da população brasileira, acima dos 20 anos, apresenta sobrepeso. Trata-se, de fato, de um alerta sério, que mexe com a saúde do brasileiro. “A gordura em excesso no organismo do obeso pode agredir e destruir a cartilagem das juntas, daí o paciente obeso ter maior tendência para desenvolver esse tipo de problema”, explica o fisiatra Antônio D’Almeida, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo.
O que é artrose
A artrose é uma das doenças reumáticas mais comuns, que mais levam pessoas aos consultórios médicos. Ela acomete tanto homens quanto mulheres, e é um erro pensar que é uma doença exclusiva da terceira idade. A artrose é uma doença articular degenerativa, que incide principalmente nas articulações dos joelhos, coluna, quadril, mãos e dedos, e não tem cura.
O Dr. Antônio diz que o tratamento deve ser iniciado logo, o quanto antes, ao menor sinal de dor nas articulações. A obesidade, neste sentido, deve ser combatida. “Alongamentos são fundamentais para o alívio das dores. Mas somente após perder peso que o paciente poderá praticar atividades físicas sem impacto, como andar de bicicleta, musculação, hidroginástica ou natação. O médico devo orientá-lo neste sentido. Perder peso é fundamental, principalmente para aqueles que têm sobrepeso e artrose na coluna, no quadril ou nos joelhos”, determina o médico do CREB.
Exames e tratamento
A artrose é identificada por meio de exame radiográfico, mas o Dr. Antônio diz que há dois exames que podem ajudar muito a entender como está o processo do paciente e para propor o melhor tratamento. “A baropodometria computadorizada localiza os pontos de apoio na planta do pé durante a pisada e faz a mensuração precisa da pressão exercida sobre cada um destes pontos. A avaliação isocinética computadorizada, por sua vez, mostra o movimento articular, apontando deficit e desequilíbrios musculares, que podem levar ao desgaste prematuro das articulações”.
O fisiatria diz que a realização destes dois exames pode ser decisivo para o tratamento. E diz que o CREB dispõe de um tratamento muito moderno, chamado viscossuplementação: injeções intra-articulares de ácido hialurônico, ou seja, o mesmo componente do líquido sinovial de uma articulação saudável. De acordo com o Dr. Antônio, são feitas aplicações, por médico especialista, no próprio consultório, podendo repetir o procedimento após o período de seis meses a um ano.
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